Os restos mortais do ditador espanhol Francisco Franco foram exumados nesta quinta-feira (24) do enorme mausoléu onde estavam desde 1975, no Vale dos Caídos, nas proximidades de Madri.
Depois que a retirada da cova foi feita sem incidentes, segundo afirmou o governo espanhol, o caixão deixou o local carregado por oito familiares do ditador.
Foi embarcado em um helicóptero e levado para o discreto cemitério de El Pardo-Mingorrubio, também na capital espanhola. Ali, foi sepultado junto a outros familiares.
Uma vez no cemitério, houve uma missa para o novo sepultamento, em uma cripta familiar. A cerimônia foi oficiada pelo padre Ramón Tejero, filho de Antonio Tejero, o tenente-coronel que liderou uma tentativa frustrada de golpe de Estado em 1981.
Os trabalhos começaram pouco antes das 11h (6h em Brasília). Momentos antes do início da operação, 22 membros da família do general, que governou a Espanha com mão de ferro entre 1939 e 1975 após sua vitória na Guerra Civil (1936-1939), entraram na basílica para acompanhar a exumação.
O governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez transformou a remoção em uma de suas prioridades depois de chegar ao poder, em junho de 2018.
O objetivo é que esse mausoléu deixe de ser um lugar de exaltação do franquismo. Nenhum outro país da Europa Ocidental tem espaços semelhantes dedicados a homenagear ditadores.
Sánchez havia prometido a exumação ainda para 2018. Mas o processo foi adiado em mais de um ano pela batalha judicial iniciada por sete netos do ditador.
A oposição, tanto de direita quanto de esquerda, acusa o líder do PSOE de utilizar a exumação para obter frutos eleitorais a pouco mais de duas semanas das eleições, em 10 de novembro.
“Isto deveria ser feito em um período não pré-eleitoral”, disse o líder do partido de esquerda radical Podemos, Pablo Iglesias.
“Nós não vamos gastar nem um minuto para falar sobre o que aconteceu na Espanha há 50 anos”, declarou recentemente o líder do conservador Partido Popular (PP), Pablo Casado, enquanto Santiago Abascal, líder do partido de ultradireita Vox, criticou a “profanação de um túmulo”.