A busca por uma postura imune a pressões externas e ruídos políticos na alta magistratura foi o tema central abordado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, ao relacionar a prática do jiu-jítsu com a disciplina pessoal e profissional. Faixa-coral de 8º grau e praticante da modalidade há cinco décadas, o magistrado afirmou na última quarta-feira (14), em Brasília, que o esporte atua como um pilar de sustentação para a vida e para a firmeza das decisões judiciais.
“O jiu-jitsu influencia na vida da gente, quer no plano vivencial, quer no plano profissional”, refletiu Fux ao destacar o alcance da modalidade na formação do indivíduo. “Mas eu acho que o dado mais importante do jiu-jítsu é que ele traz uma independência olímpica, que é muito importante para o juiz.”
Independência e conduta no Poder Judiciário
Segundo Fux, a filosofia herdada do tatame prepara o julgador para enfrentar cenários de forte tensão institucional e divergências públicas, assegurando que o cumprimento da lei se sobreponha a interferências de momentos políticos. A maturidade adquirida nas artes marciais auxilia na neutralidade e no equilíbrio necessários para decidir em matérias de alta relevância nacional.
“Os juízes devem ter um conhecimento, devem ter também uma nobreza de caráter e, acima de tudo, uma independência olímpica: fazer aquilo que eles acham certo, independentemente de haver uma divergência ou outra”, declarou Fux ao tratar do exercício da magistratura.
A reflexão sobre a conduta dos magistrados ocorreu durante a participação do ministro no Centro de Treinamento da Polícia Judicial do STF. No local, Fux vestiu o kimono e deu uma aula prática ao lado de policiais judiciais para cerca de 45 crianças e adolescentes atendidos por projetos sociais, ressaltando que os valores éticos de disciplina e integridade do esporte servem tanto para a magistratura quanto para a formação cidadã.













