Amelinha Teles morre aos 81 anos; escritora foi presa e torturada durante a ditadura militar

Velório de Amelinha Teles será realizado na quarta-feira (16/9), das 11h às 16h

Maria Amélia de Almeida Teles nasceu em Contagem (MG) e atuou como militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)/Reprodução

A escritora e militante feminista Amelinha Teles morreu aos 81 anos. Uma das vítimas da ditadura militar brasileira (1964-1985), ela foi presa e torturada durante o regime e se tornou uma das principais vozes na denúncia das violações cometidas no período. A morte foi informada por amigos nas redes sociais nesta terça-feira (15/9).

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O velório de Amelinha Teles será realizado na quarta-feira (16/9), das 11h às 16h, na Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na rua Sena Madureira, n° 1.500, em São Paulo.

Segundo a União de Mulheres de São Paulo, entidade da qual Amelinha era diretora, o sepultamento ocorrerá no mesmo dia, com saída da Unifesp em direção ao Cemitério da Vila Formosa.

Quem foi Amelinha Teles

Maria Amélia de Almeida Teles nasceu em Contagem (MG) e atuou como militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Durante a ditadura militar, passou a denunciar a repressão e as violações de direitos humanos cometidas pelo regime.

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Em 1972, Amelinha foi presa e torturada no DOI-Codi de São Paulo pelo major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra. Na mesma época, o marido dela, César Augusto Teles, e o companheiro de militância, Carlos Nicolau Danielli, também foram levados ao órgão de repressão.

Durante o período de prisão, Amelinha presenciou o assassinato de Danielli. Os dois filhos dela, que tinham 4 e 5 anos na época, também foram sequestrados e levados ao local, onde foram obrigados a assistir às torturas sofridas pelos pais.

Livros e atuação pelos direitos humanos

Após a ditadura, Amelinha continuou atuando na defesa da memória e dos direitos humanos. Ela integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e registrou em livros parte das experiências vividas durante a repressão.

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Entre as obras publicadas pela escritora estão “Contos da Cela Três”, com memórias que começou a escrever em 1973, enquanto estava presa; “Breve História do Feminismo no Brasil”; e “O Que São os Direitos Humanos das Mulheres?”.

A trajetória de Amelinha Teles ficou marcada pela militância feminista, pela defesa dos direitos humanos e pela luta pela preservação da memória sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar brasileira.