A Volkswagen apresentou nesta segunda-feira (14/9) o Mission Efficiency, protótipo elétrico criado para levar ao limite a eficiência energética e aerodinâmica de um carro de passeio.
O modelo registrou três recordes mundiais e chegou a uma autonomia próxima de 800 quilômetros em condições ideais de teste.
O cupê de configuração 2+2 também alcançou 0,158 de coeficiente de arrasto (Cd), índice que, segundo a Volkswagen, é o menor já registrado por um veículo homologado para circular nas ruas.
Além do desempenho em eficiência, o projeto chama atenção por utilizar componentes que serão empregados em futuros carros elétricos de entrada da marca, em vez de recorrer a materiais e tecnologias exclusivos de veículos experimentais.
Carro elétrico percorreu mais de 1.200 km
Em um teste oficialmente documentado, o Mission Efficiency percorreu 1.278,36 quilômetros entre o Centro de Desenvolvimento da Volkswagen, em Wolfsburg, na Alemanha, e Viena, na Áustria.
O trajeto passou também pela Polônia e pela República Tcheca. Durante o percurso, o protótipo registrou consumo médio real de 6,89 kWh a cada 100 km.
Considerando as perdas durante a recarga, o consumo ficou em 7,51 kWh/100 km.
A velocidade média foi de 67 km/h, enquanto a máxima chegou a 138 km/h. A bateria de 54,9 kWh precisou ser recarregada apenas uma vez durante o percurso.
Ao chegar a Viena, o veículo ainda indicava 164 quilômetros de autonomia restante.
Em outro teste, realizado a 68 km/h e sem o uso do ar-condicionado, o consumo caiu para 6,48 kWh/100 km.
Aerodinâmica ajuda a reduzir o consumo
O desenho do Mission Efficiency foi desenvolvido para diminuir ao máximo a resistência do ar.
A carroceria tem formato semelhante ao de uma gota e reúne soluções como entradas de ar ativas para o sistema de arrefecimento, rodas traseiras parcialmente cobertas, assoalho totalmente vedado e maçanetas embutidas.
O resultado é um coeficiente de arrasto de apenas 0,158 Cd.
Para efeito de comparação, o Lucid Air, modelo de produção em série citado pela Volkswagen como o mais aerodinâmico atualmente, registra 0,197 Cd.
A vantagem aparece principalmente em velocidades mais altas. De acordo com a fabricante, acima de 80 km/h o Mission Efficiency consome mais de 30% menos energia que um ID. Polo.
A 140 km/h, o protótipo utiliza praticamente a mesma quantidade de energia que o ID. Polo consome a 100 km/h.
Tecnologia poderá chegar a carros mais acessíveis
Um dos principais pontos do projeto é que a Volkswagen não desenvolveu o Mission Efficiency como um exercício baseado apenas em componentes exclusivos.
O protótipo utiliza a plataforma MEB+ de tração dianteira, além da mesma bateria e do motor elétrico de 135 cv (99 kW) previstos para futuros modelos de entrada da marca, como o ID. Polo e o ID. Cross.
Segundo Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen, a proposta é demonstrar que soluções de eficiência podem ser aplicadas em veículos produzidos em maior escala.
O projeto, portanto, funciona também como uma espécie de laboratório para tecnologias que podem chegar a carros elétricos mais acessíveis.
Painéis solares podem acrescentar autonomia
Entre as soluções utilizadas no protótipo está um sistema de geração de energia solar integrado ao teto de vidro e à tampa do porta-malas.
Os painéis fotovoltaicos têm potência de 370 watts e, segundo a Volkswagen, podem acrescentar até 30 quilômetros de autonomia por dia, dependendo das condições de utilização e incidência solar.
O carro também recebeu pneus desenvolvidos em parceria com a Continental. O conceito EcoContact 7 tem resistência ao rolamento 25% menor que o limite da melhor classe do selo europeu, de acordo com a fabricante.
Outra novidade está no sistema de frenagem traseiro. O Mission Efficiency utiliza um mecanismo eletromecânico desenvolvido em parceria com a Aumovio, que dispensa fluido e tubulações hidráulicas nessa parte do veículo.
A solução reduz peso e contribui para a recuperação de energia durante as frenagens.
Interior aposta no celular
A busca pela eficiência também chegou ao interior do veículo. O Mission Efficiency tem configuração 2+2 e porta-malas com capacidade de 481 litros.
Para reduzir peso e componentes, o protótipo não possui uma central multimídia convencional nem alto-falantes tradicionais.
A proposta é utilizar o smartphone do motorista ou do passageiro como tela principal. O sistema de áudio, por sua vez, pode ser substituído por uma caixa de som Bluetooth portátil.
Conceito do Volkswagen XL1
O novo protótipo também retoma uma ideia que já havia sido explorada pela Volkswagen no XL1, apresentado em 2013.
O modelo híbrido tinha como principal objetivo reduzir ao máximo o consumo de combustível e chegou a registrar média declarada de 0,9 litro a cada 100 quilômetros, equivalente a mais de 110 km/l em condições específicas.
O XL1 combinava um motor diesel TDI de dois cilindros e 48 cv com um motor elétrico de 27 cv. O conjunto permitia rodar até 50 quilômetros no modo totalmente elétrico.
Com carroceria construída em grande parte com fibra de carbono, o modelo pesava apenas 795 kg e tinha coeficiente de arrasto de 0,189 Cd.
A produção foi limitada a 250 unidades, transformando o XL1 em um dos projetos mais exclusivos da história recente da Volkswagen.
Agora, mais de uma década depois, o Mission Efficiency recupera a mesma busca por eficiência, mas aplicada a um carro elétrico e utilizando tecnologias que a Volkswagen pretende levar para modelos de maior volume.
