Autores de livros infanto-juvenis ressaltam na Bienal a importância da leitura nesta fase da vida e relembram trajetórias para ocupar espaços no mercado

Mesa de autores infanto-juvenis se reúne na Bienal do Livro de São Paulo/ Instagram/ @lucianomonteiro

Na última segunda-feira, 7, o espaço da Arena Cultural na Bienal do Livro de São Paulo foi dominado por leitores de todas as idades. Isso porque a mesa “Sessão nostalgia: livros que crescem com seus leitores” reuniu nomes importantes do gênero infanto-juvenil para falarem sobre suas trajetórias e da importância que carregam em suas obras.

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Dentre os presentes estavam Pedro Bandeira, Thalita Rebouças, Maria Mariana e Nelson Luiz de Carvalho, que falaram sobre seus principais títulos e trouxeram mensagens de carinho pela comunidade que criaram a partir do surgimento do gênero.

Formação de leitores

A principal semelhança entre os autores da mesa é o tempo que já estão no mercado literário. Uma das situações que contam é a de, por meio dos livros, terem contato com diversas gerações da família. Um filho que dá o livro para a mãe conhecer sua realidade, ou vice-versa, gera uma maior proximidade com o autor.

Pedro Bandeira ressalvava que a literatura auxilia na criação de personalidade e identidade, gerando assim um diálogo e um aprendizado com as novas gerações:

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É um momento em que você se entende, você ama a pessoa, mas, para aquela ligação continuar firme, é preciso que um aceite o outro como um ser humano diferente.

Já Thalita se emociona ao ver que, após ajudar muitas garotas, que agora são mães, está podendo participar da adolescência de uma nova geração:

O fato de eu estar passando de mãe para filha […] Mães que hoje estão com 40 anos, que me leram com 15, estão com filho de 10 e chegam chorando no estande, falando: “Essa escritora que fez a adolescência da sua mãe”.

O poder da leitura

Livros como “Fala sério, mãe”, “O Terceiro Travesseiro”, “Confissões de uma Adolescente” e “A Droga da Obediência” foram a primeira leitura de muitos brasileiros, ou, ao menos, estiveram na cabeceira de vários.

Porém, os autores contam que não esperavam pela grande popularização dos títulos, ainda mais por estarem iniciando a carreira literária.

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Isso foi o que aconteceu com Nelson Luiz de Carvalho, que, em seu livro de estreia “O Terceiro Travesseiro”, relançado pela Editora Planeta, não esperava alcançar e ajudar tantas pessoas.

Nos primeiros três, quatro meses, no máximo, eu recebi mais de 25.000 cartas. E o mais interessante: não só de leitores […], mas de mães e de avós de leitores. Eu achava, quando publiquei o livro, que a gente ia vender 50 livros, vai, no máximo 100. E, de repente, a gente vendeu milhares e milhares de livros.

A conquista do espaço

Reconhecidos como pioneiros na literatura infanto-juvenil, os autores falaram sobre a ocupação de um espaço que era esquecido pelo mercado editorial antes da chegada de seus títulos.

Thalita comenta que a resposta do público foi decisiva para a continuidade da escrita, já que não via um mercado otimista no início de sua carreira, há 26 anos:

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Tinha um vácuo ali de escritores para essa galera adolescente. E, quando eu vi que eles gostavam de mim, eu falei: “Cara, eu vou escrever para eles”.

Pedro Bandeira complementa, dizendo que o segmento é pequeno e, com isso, torcem uns pelos outros, esperando que o público cresça ainda mais e reforce essa base:

Na nossa profissão, é uma profissão muito gostosa […] Eu penso o seguinte: você e a Thalita criam um novo leitor ou mais um que está ouvindo meu livro. A gente torce pelo outro, a gente torce: “Que bom, que bom que o livro do Nelson fez sucesso”.