Após o Ministério da Saúde ter divulgado uma informação atribuindo baixa efetividade da Coronavac na quinta-feira (7), o Instituto Butantan decidiu se pronunciar contestando a afirmação. A baixa eficiência do imunizante teria sido usada como motivo para que o Ministério retirasse a vacina dos planos de compra para 2022.
Em resposta ao caso, o Instituto Butantan afirmou nesta sexta (8): “A informação é equivocada, já que todas as pessoas idosas têm resposta imune inferior a outras faixas etárias, o que ocorre com todos os imunizantes”.
O instituto lembrou ainda que uma pesquisa feita com 60,5 milhões de brasileiros vacinados de janeiro a junho de 2021 comprovou efetividade superior a 70% contra casos graves da doença, internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e mortes, inclusive entre idosos. As informações são do G1.
Os resultados da pesquisa mostram que, do total de pessoas que haviam tomado as duas doses de Coronavac, 72,6% apresentaram menos risco de hospitalização, 74,2%, menos risco de admissão em UTI e 74% estava menos suscetíveis ao risco de morte.
A vacina teve resultado ainda melhor em pessoas com idade entre 60 e 89 anos, com uma efetividade de 84,2% contra internações, 80,8% contra internações em UTI e 76,5% contra óbito.
A Coronavac ainda tem autorização apenas para uso emergencial. Mas o Instituto Butantan já enviou um estudo com parte dos resultados de imunogenicidade da CoronaVac requisitados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que a vacina receba autorização definitiva de uso no país.
“Apesar de validados, a agência novamente pediu mudanças nos métodos analíticos. Com o objetivo de sanar a questão, o Butantan fechou um acordo com a Sinovac para que as análises complementares de imunogenicidade sejam realizadas em parceria com o laboratório. As amostras estão em trâmites legais para envio e análise no padrão requerido pela Anvisa.”, informou o Instituto.
Por sua vez, a Anvisa questiona o recebimento desta solicitação. Em nota, a Anvisa alega que, até o momento, “não existe pedido de registro para a vacina CoronaVac no Brasil. A Anvisa não recebeu solicitação de registro do Butantan para esta vacina”.
Sobre a mudança nos critérios de avaliação quanto à imunogenicidade, a agência diz que não alterou o método de análise.
“Não houve alteração de metodologia ou regras de análise por parte da Anvisa. Foram apresentadas duas propostas de metodologia para imunogenicidade pelo Instituto Butantan. As propostas não foram consideradas adequadas pela Anvisa, pois não cumpriam com as exigências e parâmetros científicos para avaliação de imunogenicidade de uma vacina. O critério utilizado pela Anvisa na avaliação da Coronavac foi o mesmo utilizado para todas as demais vacinas autorizadas no Brasil.”
“A Anvisa segue aguardando que o Instituto realize os testes de imunogenicidade e entregue os dados de acordo com os parâmetros estabelecidos e válidos para todas as vacinas em uso no Brasil”, concluiu a Agência.
