Casal comprou terreno para passar o verão em 1951, mas uma coruja ferida mudou tudo e deu origem a refúgio que hoje cuida de 7 mil animais por ano

Jim e Betty Woodford planejavam apenas ter um lugar para descansar em Nova Jersey, mas o encontro com uma coruja ferida transformou a propriedade em um dos principais centros de reabilitação de animais silvestres da região

Woodford Cedar Run Wildlife Refuge

Hospital registrou um recorde de 7.703 animais atendidos em 2024/Divulgação/Woodford Cedar Run Wildlife Refuge

O que começou como um simples projeto de verão acabou se transformando, décadas depois, em um refúgio que recebe mais de 7 mil animais silvestres por ano. Essa é a história de Jim e Betty Woodford, um casal que comprou uma propriedade de 185 acres em Medford Township, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, em 1951.

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Na época, a intenção era usar o terreno apenas como um refúgio de verão. A região, porém, conquistou o casal, que decidiu fazer da propriedade sua residência permanente. Em 1957, eles construíram a primeira casa com vista para o lago e fundaram o que viria a ser o Woodford Cedar Run Wildlife Refuge.

A ajuda pioneira

A transformação da propriedade em um espaço dedicado à vida selvagem começou de maneira inesperada. Uma pessoa da região levou até Betty uma coruja-orelhuda-grande (Great Horned Owl) ferida e perguntou se ela poderia ajudar.

Betty aceitou o desafio. O atendimento daquela ave acabou dando início a uma atividade que mudaria completamente o destino da propriedade.

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A partir dali, ela e Jim passaram a dedicar a vida à preservação dos Pinelands de Nova Jersey, à educação ambiental e à reabilitação de animais silvestres.

Betty se tornou uma referência local em assuntos relacionados à fauna e à flora dos Pinelands. Ela atuou como botânica, naturalista, fotógrafa da natureza e reabilitadora de animais, além de desenvolver programas de educação ambiental.

Durante cerca de quatro décadas, o casal trabalhou para transformar Cedar Run em um espaço de proteção à vida selvagem. A propriedade, que originalmente tinha 185 acres, hoje conta com 171 acres preservados de habitat dos Pinelands.

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De uma coruja para milhares de espécies no refúgio de animais

A pequena história iniciada com uma única ave ganhou proporções muito maiores ao longo dos anos.

Atualmente, o refúgio mantém um hospital de reabilitação de animais silvestres que trata e recupera mais de 7 mil animais por ano. O número inclui espécies nativas de Nova Jersey que chegam ao local doentes, feridas ou órfãs.

O crescimento da demanda é tão expressivo que, em 2024, o hospital registrou um recorde de 7.703 animais atendidos, cerca de 1,1 mil a mais do que no ano anterior.

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Boa parte desses animais consegue ser recuperada e posteriormente devolvida à natureza. Outros, porém, sofrem lesões permanentes que impedem sua sobrevivência em liberdade.

Por isso, o Cedar Run mantém mais de 50 animais silvestres como moradores permanentes. São animais que não podem ser soltos novamente por causa de deficiências ou ferimentos que comprometeriam sua capacidade de encontrar alimento, fugir de predadores ou sobreviver sozinhos.

Esses animais também cumprem uma função importante: ajudam o refúgio em programas de educação ambiental, permitindo que visitantes conheçam de perto espécies que dificilmente encontrariam na natureza.

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Um legado preservado

Jim e Betty Woodford passaram décadas trabalhando para proteger a propriedade e a natureza ao redor dela. Em 1997, o sonho do casal ganhou uma importante garantia de continuidade.

Um financiamento do programa Green Acres, de Nova Jersey, permitiu preservar as terras e os edifícios do Cedar Run para as gerações futuras.

Hoje, a organização combina reabilitação de animais, preservação ambiental e educação. Além dos milhares de animais atendidos anualmente, o refúgio recebe visitantes e desenvolve atividades voltadas à conscientização sobre a fauna e os habitats de Nova Jersey.

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A história, portanto, começou com uma propriedade comprada para passar o verão e uma única coruja que precisava de ajuda.

Mais de sete décadas depois, aquele gesto de Betty se transformou em uma estrutura que oferece uma segunda chance a milhares de animais silvestres todos os anos.

O que era para ser apenas uma casa de verão acabou se tornando um legado de conservação e refúgio de animais que atravessou gerações.