Celebrado nesta terça-feira (7/7), o Dia Mundial do Chocolate reacende uma dúvida comum entre quem busca manter uma alimentação equilibrada: afinal, o doce pode fazer parte da dieta? Para especialistas, a resposta é sim, desde que a escolha do produto, a quantidade consumida e o contexto da alimentação sejam levados em consideração.
O tema ganha destaque em um momento em que o consumo de chocolate no Brasil está em retração. Dados da Worldpanel by Numerator, divulgados pela Kantar, mostram que o volume consumido nos lares brasileiros caiu 19% no primeiro trimestre de 2025, reflexo da alta internacional do preço do cacau. Mesmo assim, o produto segue presente na rotina dos consumidores, que passaram a optar por embalagens menores.
Segundo a nutróloga Sandra Fonseca, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o consumo ocasional de chocolate não é o principal responsável pelo ganho de peso ou pelo desenvolvimento de doenças metabólicas. O problema, segundo ela, está no excesso de alimentos ultraprocessados ricos em açúcar e calorias ao longo do tempo.
“Não existe alimento que, sozinho, determine a qualidade da alimentação. O chocolate pode fazer parte da rotina, desde que seja consumido com moderação e dentro de um padrão alimentar saudável. Quando ele é tratado como proibição, a tendência é aumentar a ansiedade e favorecer o exagero”, afirma.
Qual chocolate é a melhor escolha?

A qualidade do produto faz diferença. De acordo com a especialista, chocolates com 70% ou mais de cacau concentram maior quantidade de compostos antioxidantes, como os polifenóis, além de magnésio e triptofano — aminoácido relacionado à produção de serotonina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar.
Já as versões ao leite e o chocolate branco costumam apresentar menor concentração de cacau e maiores quantidades de açúcar e gordura. Alguns produtos também podem conter gordura hidrogenada, ingrediente associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares quando consumido em excesso.
“O mais importante não é contar quantos quadradinhos foram consumidos, mas observar a qualidade do chocolate, o teor de cacau e a alimentação ao longo do dia. Quando a dieta é baseada em frutas, verduras, legumes, proteínas de qualidade e grãos integrais, há espaço para o chocolate sem que isso comprometa a saúde”, diz Sandra.
O médico Alexandre Duarte, especialista em fisiologia metabólica e hormonal, afirma que o impacto do chocolate depende, principalmente, da composição do produto e dos hábitos alimentares de quem o consome.
Segundo ele, chocolates industrializados costumam ter açúcar entre os primeiros ingredientes da lista, além de gorduras vegetais e aditivos. Quanto menor a concentração de cacau, menor também tende a ser a presença dos compostos naturalmente benéficos do alimento.
“O chocolate não é o inimigo da dieta. Muitas vezes, o problema é que o produto tem pouco cacau e muito açúcar. Além disso, a forma como esse alimento é consumido costuma dizer mais sobre a saúde metabólica da pessoa do que o doce isoladamente”, explica.
O especialista afirma que o consumo frequente de produtos ricos em açúcar favorece picos de glicemia e sucessivas liberações de insulina. Quando esse padrão se repete em uma alimentação baseada em carboidratos refinados e ultraprocessados, pode contribuir para resistência à insulina, inflamação crônica e dificuldade para controlar o peso.
Como consumir sem exageros
Os especialistas recomendam priorizar chocolates com maior teor de cacau, ler os rótulos antes da compra e consumir pequenas porções, preferencialmente após as refeições. Também orientam evitar o hábito de recorrer ao doce como resposta automática ao estresse, à ansiedade ou ao cansaço.
A recomendação geral é consumir entre 20 e 30 gramas por dia, o equivalente a cerca de dois quadrados pequenos de uma barra, sempre considerando as necessidades individuais e a orientação de um profissional de saúde.
Para os médicos, o principal recado do Dia Mundial do Chocolate é que uma alimentação saudável não depende da exclusão de um único alimento, mas do conjunto de hábitos adotados de forma consistente ao longo do tempo.
