Tassio Renan abre segredos da campanha de Marçal, detalha cadeirada de Datena, laudo contra Boulos e briga com equipe de Nunes

Em entrevista, ex-braço direito do candidato reflete sobre as estratégias extremas de 2024, admite falhas na reta final e projeta candidatura própria em 2026

Tassio Renan

Tassio Renan expõe bastidores da campanha de Marçal /Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

A campanha de 2024 para a Prefeitura de São Paulo ainda rende episódios controversos nos bastidores da política.

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Quase dois anos depois da disputa que terminou com Pablo Marçal (PRTB) em terceiro lugar, um dos principais nomes de sua equipe decidiu revisitar alguns dos momentos que mais repercutiram durante a eleição.

Em entrevista exclusiva à Gazeta de S. Paulo, nesta quarta-feira (26/8), Tássio Renan (União Brasil), advogado, empresário e braço direito de Marçal, falou sobre os bastidores da campanha e comentou episódios que envolveram adversários como Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL) e José Luiz Datena.

Hoje candidato a deputado federal por São Paulo, Tassio também falou sobre sua entrada na política, a aproximação com Marçal e as propostas que pretende levar para a disputa de 2026.

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Briga com Nunes: Tássio nega que cena tenha sido forjada

Um dos episódios que mais circularam nas redes durante a eleição aconteceu nos bastidores de um debate do Flow.

Na ocasião, imagens mostraram Tassio mexendo na gola da camisa do videomaker de Marçal, Nahuel Medina, depois de uma confusão envolvendo integrantes das campanhas.

A cena alimentou acusações nas redes sociais de que a equipe estaria tentando criar uma situação para apresentar o profissional como vítima.

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Quase dois anos depois, Tassio contesta essa interpretação.

Segundo ele, houve contato físico antes mesmo do início da transmissão e sua atitude ao mexer na roupa de Nahuel teve outro objetivo.

O vídeo que aparece, eu verificando, na verdade eu tava abrindo a camisa dele para verificar aquilo que ele tinha me relatado que tinha acontecido no início do debate.

O candidato afirma ainda que o episódio foi posteriormente levado para avaliação médica.

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Tanto que a gente fez o exame de corpo de delito posteriormente… e foi comprovado realmente que teve sim uma lesão ali no início do programa.

Na avaliação dele, a repercussão do vídeo acabou sendo influenciada pela disputa entre as campanhas.

Existiu ali um lobby por parte da campanha contrária para que aquele vídeo fosse veiculado com aquele teor.

‘Cadeirada’ de Datena virou ponto de inflexão

Outro episódio que marcou a eleição paulistana foi a agressão de Datena contra Marçal durante um debate.

Depois de ser atingido pela cadeira, Marçal foi levado para atendimento médico e apareceu em uma transmissão dentro de uma ambulância.

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A estratégia gerou enorme repercussão nas redes sociais, mas também provocou críticas.

Questionado pela Gazeta se aquela exposição teria prejudicado Marçal na reta final da eleição, Tássio reconheceu que algumas decisões poderiam ter sido diferentes.

Acredito que existe sim alguns episódios que que eu não diria que a gente se arrepende, mas que poderia ter sido feito de maneira diferente, de maneira diversa, mais equilibrada.

Para ele, porém, os episódios não explicam sozinhos o resultado da eleição.

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Tassio Renan atribui a derrota de Marçal no primeiro turno principalmente à estrutura dos adversários.

Naquele pleito, o empresário terminou em terceiro lugar, atrás de Ricardo Nunes e Guilherme Boulos.

Muito mais do que esses deslizes que aconteceu foi ali a força das três máquinas trabalhando contra a nossa campanha.

Na comparação feita pelo político, Marçal teria enfrentado uma disputa desigual.

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Era literalmente ali o exemplo bíblico que a gente tem… era a gente lutando contra três golias, sendo Davi com três pedras.

Caso Boulos: Tássio diz que faria diferente

O episódio envolvendo Guilherme Boulos é tratado por Tassio com mais cautela por ainda envolver questões jurídicas.

Durante a campanha, um documento médico falso foi divulgado nas redes sociais com informações que tentavam associar Boulos ao uso de drogas.

O caso provocou uma investigação e posteriormente houve a celebração de um acordo de não persecução penal.

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Na entrevista, ele confirmou a existência do acordo, mas evitou entrar em detalhes sobre o processo.

Existe um processo em andamento, em curso, então enquanto não passar ali o prazo de 2 anos, a gente não consegue deixar de falar alguma coisa sobre isso.”

O candidato também admitiu que a forma como o episódio foi conduzido trouxe consequências para a campanha.

Essa experiência de postar as coisas de maneira sem uma análise multidisciplinar, acaba que trouxe ali para nós alguns prejuízos.

Questionado se faria algo diferente hoje, foi direto:

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Faria diferente esse episódio em específico. Sim.

De aliado de Marçal a candidato em 2026

A entrevista também marca uma mudança de posição de Tassio Renan dentro da política.

Ele entrou no processo eleitoral após uma trajetória inicialmente marcada pela resistência à atividade política.

A aproximação com Marçal, porém, fez com que passasse a atuar diretamente na campanha de 2024.

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Agora, o advogado pretende transformar essa experiência em candidatura própria.

A defesa do empresariado aparece como um dos principais eixos de sua plataforma. Tassio critica a carga tributária brasileira e afirma ter ressalvas em relação à reforma tributária.

Para ele, a administração pública também deveria ser conduzida com maior preocupação com eficiência e gestão de recursos.

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A tese defendida pelo candidato é que a experiência adquirida no setor privado pode ajudar na tomada de decisões dentro do poder público, inclusive na manutenção de políticas de assistência social.