CLT garante folga remunerada para exames preventivos de saúde

Entenda como solicitar o benefício, a lei que o protege e quais exames estão incluídos na legislação

Trabalhadores passam a ter direito à folga remunerada para exames preventivos. Entenda as regras e como solicitar

Trabalhadores passam a ter direito à folga remunerada para exames preventivos. Entenda as regras e como solicitar | Foto: Ilustração/IA/Gazeta de S. Paulo

Entrou em vigor em 6 de abril de 2026 a Lei nº 15.377, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para garantir ausência remunerada para a realização de exames preventivos. 

Publicada no Diário Oficial da União (DOU) a norma assegura até três dias de folga por ano, sem desconto salarial, com foco em prevenção de doenças como câncer de mama, colo do útero, próstata e infecções por HPV.

Quem tem direito à folga para saúde e como solicitar

De acordo com a lei, o benefício vale para trabalhadores sob regime CLT, incluindo contratos parciais e intermitentes.

Os três dias de folga devem ser usados dentro de 12 meses e não são cumulativos, ou seja, dias não aproveitados não passam para o período seguinte.

Para usufruir do direito, o trabalhador precisa informar previamente o empregador, e apresentar o comprovante do exame, conforme previsto na lei.

Atestado sem CID é suficiente

A norma é clara: não é obrigatório incluir o CID (Classificação Internacional de Doenças) no atestado.

Por se tratar de afastamento preventivo, e não por doença diagnosticada, é suficiente apresentar o comprovante do exame.

Segundo especialistas em direito trabalhista e proteção de dados, essa regra preserva a privacidade do trabalhador, e evita que informações clínicas sensíveis sejam exigidas pelo empregador.

Como a lei protege a saúde do trabalhador

Além da garantia da folga, a lei obriga empregadores a divulgar campanhas de prevenção à saúde.

Isso inclui ações como vacinação contra HPV e incentivo a exames periódicos, seguindo diretrizes do Ministério do Trabalho e Emprego e políticas públicas de saúde.

Embora a lei não especifique penalidades para quem deixar de informar, advogados destacam que omissões podem ser alvo de fiscalização e responsabilização administrativa, a depender da interpretação dos órgãos competentes.

Lei incentiva saúde no trabalho e diagnóstico precoce

A medida está alinhada às estratégias do Ministério da Saúde para ampliar o diagnóstico precoce.

Ao permitir ausência remunerada, a legislação remove barreiras práticas, como dificuldade de conciliar horários de trabalho com consultas e exames.

Na prática, mamografias, PSA e testes de detecção de HPV tendem a se tornar mais acessíveis para a população economicamente ativa.

Empresas não precisam monitorar saúde individualmente

A lei não obriga o empregador a monitorar a saúde dos funcionários nem a organizar cronogramas de exames.

Sua responsabilidade se limita a garantir a ausência remunerada e permitir que o trabalhador exerça o direito sem prejuízo financeiro.

Folga remunerada: impactos para funcionários e empregadores

Especialistas avaliam que a mudança representa um avanço na integração entre trabalho e saúde preventiva.

Ao formalizar o direito a exames dentro da CLT, a lei estimula o diagnóstico precoce e ajuda a reduzir doenças em estágio avançado.

Para os trabalhadores, o impacto é direto: mais acesso à prevenção sem perda de renda. Para as empresas, a mudança reforça a necessidade de adaptação a um modelo que integra saúde à rotina laboral.