Cresce número de pessoas que plantam maconha em casa

Cada vez mais brasileiros tem obtido autorização da Justiça para cultivar cannabis para fins medicinais

Segundo a Fiocruz, 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já usaram maconha ao menos uma vez na vida

Segundo a Fiocruz, 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já usaram maconha ao menos uma vez na vida | Arquivo/Agência Brasil

Desde fevereiro deste ano um engenheiro que mora em Salvador é o único morador se sua capital com autorização da Justiça para plantar a erva que é popularmente conhecida como maconha. O homem, que preferiu não ser identificado, tem dois cômodos climatizados em sua casa dedicados ao crescimento das plantas.

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O soteropolitano afirmou que usa a substância extraída da erva para tratar problemas reumatológicos que causam dores crônicas. “Não quero ser ‘o cara que planta maconha’”, disse ele ao “Correio”, um jornal local.

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Em junho deste ano, a sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu autorizar outros três brasileiros a usufruir do mesmo direito. Eles também poderão tratar doenças por meio do óleo extraído da cannabis. Um dos pacientes sofre de diabetes, estresse pós-traumático, fobias sociais e transtorno depressivo recorrente.

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Os outros dois pacientes provaram por meio de atestados médicos que vias tradicionais foram tentadas para tratar seus problemas de saúde, mas somente a maconha se mostrou eficiente. Segundo matéria da “CNN”, os médicos concluíram que medicamentos à base de canabidiol seria a alternativa mais viável para a saúde dos pacientes.

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Ainda é crime, mas cenário tende a mudar

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O plantio doméstico de maconha ainda é considero do crime no Brasil. O Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, de 2006, estabeleceu que “ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso”. 

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Apesar de ilegal, o cultivo de cannabis por brasileiros parece ter um cenário de mudança a vista. No dia 8 de junho foi aprovado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que regulamenta o plantio da Cannabis sativa para fins medicinais e a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta.

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A votação foi acirrada. O Projeto de Lei (PL) 399/15 recebeu 17 votos favoráveis e 17 contrários à proposta, aprovada com o voto do relator, Luciano Ducci (PSB-PR), que desempatou o placar. O projeto altera o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas e prevê fiscalização sobre o cultivo da planta. Apesar do avanço, a tramitação do PL, atualmente se encontra interrompida.

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A advogada Margarete Brito, fundadora e diretora da Apepi, explica que a associação foi criada em 2014 para ajudar familiares e pacientes que viram na cannabis medicinal uma grande melhora na qualidade de vida de pessoas com doenças rara e neurológicas, como epilepsia. A família dela foi a primeira a conseguir autorização judicial para plantar a maconha e extrair o óleo medicinal em casa e, depois disso, criou a Apepi para ajudar outros pacientes. Atualmente, a associação fornece o óleo para quase 4 mil pacientes.

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“Ainda é muito caro. Além de melhorar o acesso, você gera riqueza para o país, né? Porque hoje existem inúmeras pessoas que ainda usam o produto que vem lá de fora, pagando em dólar. Como o Sidarta diz, é igual você importar mandioca para fazer farinha.”

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O Terceiro Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e divulgado em 2019, apontou que 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já usaram maconha ao menos uma vez na vida.