Ex-prefeito de Embu-Guaçu é preso por desvio de recursos em execução de contrato

Ele foi condenado por contratar entre 2009 e 2011 um escritório de advocacia para reaver valores recolhidos a mais da prefeitura; de acordo com a Justiça, a contração não havia necessidade

Ex-prefeito de Embu-Guaçu Clodoaldo Leite foi preso

Ex-prefeito de Embu-Guaçu Clodoaldo Leite foi preso | Reprodução

Na tarde da última sexta-feira (5) o ex-prefeito de Embu-Guaçu, na região sudoeste da Grande São Paulo, foi preso. Ele foi condenado por contratar entre 2009 e 2011 um escritório de advocacia para reaver valores recolhidos a mais da prefeitura. De acordo com a Justiça, a contração não havia necessidade. As informações foram divulgadas pelo “Verbo Online”.

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De acordo com o site “Verbo Online”, Alecio Castelucci, dono da empresa, foi sentenciado antes e já cumpre pena de prisão. O então assessor jurídico Marco Aurélio do Carmo, também processado e foi absolvido.

Em 19 de agosto de 2009, Clodoaldo, então prefeito, contratou a Castelucci Figueiredo e Advogados Associados para recuperar valores de tributos para a prefeitura, mas sem licitação “fora das hipóteses previstas”, e na mesma data fez a “prorrogação contratual”. Carmo deu parecer favorável, mas com recomendação de pagamento à empresa apenas se a prefeitura ganhasse as ações, em decisão final.

“A prova vinda aos autos foi suficiente a demonstrar, com a segurança necessária, a ocorrência do delito em tela, ao menos em relação aos pagamentos efetuados ao escritório em questão, por conta das compensações administrativas”, analisou o juiz Willi Lucarelli, de Embu-Guaçu. Ele frisou que “não há como deixar de reconhecer que parte das compensações efetivadas de ofício pela municipalidade estavam sendo discutidas judicialmente”.

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O juiz reforçou “ser inegável” o “desvio”. “Confiram-se as ordens de pagamento […], dando conta das transferências ao escritório do denunciado Alecio de valores calculados sobre as compensações administrativas, apuradas em período vedado, porquanto estavam sendo objeto de contestação judicial. O dolo fica ainda mais evidente, considerando que os pagamentos ocorreram através de forma não prevista nos contratos firmados”, apontou.

Lucarelli expediu na quinta-feira (4), o mandado de prisão de Clodoaldo. Ele foi preso em uma escola onde atua como diretor. Clodoaldo foi sentenciado a quatro anos e um mês de prisão em regime semi-aberto. O contrato gerou dívida à prefeitura de R$ 22.409.622,67.

Alvos de ação civil pública movida pelo Ministério Público, Clodoaldo e o dono da empresa de advocacia foram absolvidos da acusação de contratação sem licitação, mas condenados pela execução do contrato.

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Clodoaldo ingressou com um pedido no Tribunal de Justiça de São Paulo, mas teve o recurso negado. “Há de se considerar que, diante dos valores vultosos movimentados pelas autocompensações, era de se esperar maior rigor do prefeito no entendimento e controle dos pagamentos repassados a Castelucci Advogados, em especial após a propositura de mandado de segurança, quando as compensações passaram a ser ilegais”, decidiu o juiz-relator Cardoso Perpétuo.