Exportações reagem no 1º semestre, mas ABC tem maior déficit comercial em 24 anos

Os embarques do ABC para o exterior na primeira metade deste ano cresceram 57,2%; é o melhor desempenho para o período desde 2018

Após cinco anos em queda, número de empresas no Brasil cresceu em 2019

O saldo negativo foi puxado pelo segmento de autopeças, que elevou em 70,3% as importações, para US$ 618,17 milhões | /DIVULGAÇÃO

A retomada da atividade econômica no mundo impulsionou a recuperação das exportações de empresas do ABC Paulista no primeiro semestre deste ano, mas o aumento em maior magnitude das importações, especialmente autopeças, levou a balança comercial da região no período ao maior déficit em 24 anos.

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É o que mostram dados da plataforma Comex Stat, do Ministério da Economia, compilados pelo Diário Regional. Segundo o portal, os embarques do ABC para o exterior na primeira metade deste ano cresceram 57,2%, para US$ 2,07 bilhões. É o melhor desempenho para o período desde 2018.

Na mesma comparação, as importações registraram alta de 53,9%, para US$ 2,65 bilhões, maior resultado desde 2014. As informações foram divulgadas pelo “Diário Regional”. 

O aumento expressivo tanto nas exportações como nas importações já era esperado, tendo em vista a base de comparação fraca do primeiro semestre de 2020. “Naquele período, o comércio internacional praticamente parou devido às medidas adotadas para conter a primeira onda da pandemia de Covid-19. Assim como as empresas, a infraestrutura aeroportuária também foi impactada pela pandemia”, lembrou Marcos Andrade, diretor do Departamento de Relações Exteriores do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

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Houve crescimento nas principais pautas exportadoras dos sete municípios que compõem a região do ABC. Na comparação entre os primeiros semestres de 2020 e 2021, os embarques de veículos aumentaram 91%, para US$ 731 milhões, assim como o envio de autopeças (de 97%, para US$ 147,2 milhões) e de máquinas e equipamentos (de 34,1%, para US$ 245,6 milhões).

Porém, como as importações cresceram mais do que as exportações no primeiro semestre em termos nominais, o saldo da balança comercial da região piorou e ficou negativo em US$ 579,1 milhões, o maior déficit para o período desde 1997, primeiro ano da série histórica disponibilizada pelo portal Comex Stat.

O saldo negativo foi puxado pelo segmento de autopeças, que elevou em 70,3% as importações, para US$ 618,17 milhões. Com isso, o déficit comercial do setor ficou em US$ 471,0 milhões, contra US$ 289,17 milhões no primeiro semestre do ano passado e US$ 349,82 milhões nos seis meses iniciais de 2019 – antes, portanto, da eclosão da crise sanitária.

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O setor automotivo sofre, desde o início da pandemia, com o aumento no preços dos insumos, decorrente do desequilíbrio entre oferta e demanda, do câmbio e da cotação internacional das commodities.

Para o diretor do Departamento de Relações Exteriores do Ciesp, a pandemia provocou “desarranjo” na cadeia automotiva. Essa desordem foi potencializada pelo dólar valorizado (variando entre R$ 5,10 e R$ 5,60), o que encareceu a compra de matérias-primas e componentes que entram no processo produtivo das indústrias, e pela disparada internacional nos preços de alguns insumos.

“Teve a questão do dólar, que esteve bastante elevado, o que impacta as empresas que dependem de matérias-primas importadas, e houve desarranjo não só na cadeia automotiva, mas em várias cadeias, em função de paradas na produção ou de medidas sanitárias adotadas para conter a propagação do vírus, as quais reduziram a produção e, eventualmente, podem ter forçado algumas empresas a substituir conteúdo local por importado”, afirmou Andrade.

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Outra possível explicação, segundo o diretor do Ciesp, é que as empresas, para se precaver de eventuais falhas na cadeia logística e da escassez global de suprimentos, tenham feito estoques de segurança maiores do que os habituais.