Dias antes de aliados relatarem a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA, Joice Hasselmann já havia alertado sobre uma possível fuga dele

Ex-deputada mencionou suposto jatinho antes da eleição; autoridades investigam viagem e aeronave segue na Argentina.

Joice Hasselmann afirmou, antes do segundo turno das eleições, que Flávio Bolsonaro teria um jatinho preparado para deixar o Brasil em direção aos Estados Unidos. (Foto: Montagem/Câmara dos Deputados/Folhapress)

A ex-deputada federal Joice Hasselmann afirmou, quatro dias antes desta terça-feira (27), que Flávio Bolsonaro (PL) teria um jatinho fretado para deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial. A declaração voltou a repercutir após aliados do senador relatarem que receberam informações sobre uma viagem dele aos Estados Unidos.

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Segundo informações, pessoas próximas ao parlamentar foram avisadas de que ele estaria em um voo com destino ao território americano. Entretanto, não havia confirmação independente sobre o meio de transporte utilizado, a rota percorrida ou sua chegada aos Estados Unidos.

A notícia surge após a suspeita de saída de Flávio Bolsonaro do Brasil em direção aos EUA ganhar repercussão, enquanto a Polícia Federal (PF) apura o paradeiro do senador e o descumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Joice falou em fuga antes da eleição

Na sexta-feira (23), a ex-deputada publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que Flávio Bolsonaro teria organizado uma viagem para a Flórida, nos Estados Unidos, caso perdesse o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Na ocasião, Joice declarou que havia um jatinho preparado para transportar o parlamentar e relacionou a suposta viagem à possibilidade de ele enfrentar consequências judiciais no Brasil.

A ex-parlamentar também mencionou declarações de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que havia defendido publicamente a saída do senador do país em caso de derrota eleitoral.

Joice não apresentou documentos ou registros que comprovassem a contratação da aeronave, nem explicou como obteve a informação.

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Ex-aliada da família Bolsonaro, Joice passou a fazer críticas públicas ao grupo político nos últimos anos. Sua trajetória também incluiu disputas e mudanças partidárias.

Aliados relatam viagem aos EUA

O caso ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, quando as jornalistas Mariana Sanches e Natália Portinari, do UOL, informaram que aliados de Flávio Bolsonaro haviam sido avisados de que ele estaria a caminho dos Estados Unidos.

Uma fonte americana próxima ao governo Donald Trump e à família Bolsonaro disse ter conhecimento da partida, mas não confirmou a chegada do senador nem uma eventual passagem pela Argentina.

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Nenhuma dessas informações, isoladamente, comprova que o parlamentar deixou o território brasileiro ou descumpriu a proibição de viagem ao exterior.

Mais cedo, Eduardo Bolsonaro havia ironizado os rumores. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, também negou inicialmente que ele tivesse deixado o país.

Argentina nega entrada do senador

A suspeita de fuga começou a ganhar repercussão na madrugada desta terça-feira, quando o portal argentino Infobae divulgou que Flávio teria atravessado a fronteira para embarcar em uma aeronave particular em Puerto Iguazú, na província de Misiones.

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O avião mencionado era um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly. A aeronave teria como destino os Estados Unidos.

Entretanto, o governo argentino informou oficialmente que não havia registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país.

A Direção Nacional de Migrações também declarou que nenhum plano de voo apresentado incluía integrantes da família Bolsonaro. A aeronave citada na reportagem permanecia no aeroporto de Puerto Iguazú durante as verificações daquela manhã.

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As informações divulgadas posteriormente por aliados do senador não esclareceram se uma eventual saída teria ocorrido por outra rota.

Passaportes foram cancelados pela PF

A possibilidade de viagem ao exterior surgiu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro e proibiu o senador de deixar o Brasil.

O parlamentar foi intimado na segunda-feira (26), mas não entregou os documentos dentro do prazo de 24 horas estabelecido pela Justiça.

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Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do senador nesta terça-feira. A corporação também informou que comunicaria o fato ao ministro responsável pela decisão.

A medida foi determinada no âmbito de uma investigação envolvendo a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz e suspeitas de movimentações financeiras irregulares.

O senador também é investigado em outro inquérito relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades nas investigações.

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O episódio ocorre após uma disputa presidencial marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, encerrada no domingo (25) com a reeleição do petista.

Na segunda-feira, antes das informações sobre a possível viagem, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo afirmando que não pretendia deixar o país. O senador disse que cumpriria a ordem judicial, entregaria os passaportes e contestaria a decisão de Alexandre de Moraes.

As declarações contrastam com os relatos divulgados nesta terça-feira e com o cancelamento dos documentos pela Polícia Federal.

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