A frota de ônibus reduzida em São Paulo levou a Justiça Eleitoral a cobrar explicações imediatas da Prefeitura e da SPTrans neste domingo (25/10), durante o segundo turno da eleição presidencial de 2026.
A medida busca esclarecer denúncias sobre a circulação de veículos na capital e o cumprimento de uma ordem judicial que prevê a operação integral do serviço.
Justiça cobra esclarecimentos sobre a operação dos ônibus
O juiz Tiago Ducati Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, determinou que os órgãos apresentem informações sobre os locais mencionados na denúncia do Partido dos Trabalhadores (PT).
A representação afirma que somente 60% da frota prevista na determinação judicial estava em operação. O magistrado ordenou que a Prefeitura e a SPTrans recebessem a intimação por meio eletrônico.
A decisão não estabeleceu uma nova multa. O juiz considerou que a ordem anterior já previa penalidades em caso de descumprimento injustificado.
Decisão judicial previa 100% da frota de ônibus
No sábado (24), a Justiça Eleitoral determinou que a capital paulista disponibilizasse todos os ônibus previstos para dias úteis regulares durante a votação.
Conforme informação publicada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), a decisão estabeleceu multa de R$ 100 mil para o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, caso a determinação fosse descumprida.
A ordem também considerou as regras eleitorais sobre a oferta de transporte coletivo nos dias de votação. A frequência deve ser compatível com a dos dias úteis, conforme a regulamentação aplicável.
SPTrans aponta dificuldades para ampliar a operação
Em nota, a SPTrans informou que recebeu a notificação do TRE-SP às 13h10 de sábado. A empresa afirmou que comunicou as concessionárias às 13h32, mas relatou dificuldades para reorganizar as escalas de trabalho em menos de 12 horas.
Segundo a companhia, o planejamento inicial considerou a demanda do domingo anterior. Naquela data, aproximadamente 6,9 mil ônibus circularam pela cidade, com oferta estimada de 8 milhões de lugares e transporte de 3,4 milhões de passageiros.
A empresa também declarou que havia encaminhado o planejamento aos órgãos eleitorais antes da votação. A SPTrans afirmou que acompanha a operação e busca garantir o atendimento aos passageiros.
Passageiros relatam espera prolongada em diferentes regiões
Relatos de moradores apontaram problemas no Jaraguá e na Vila Zilda, na Zona Norte, além da Avenida Ibirapuera e da Estrada do M’Boi Mirim, na Zona Sul.
No Jaraguá, um passageiro afirmou ter esperado mais de uma hora pela saída de um ônibus da linha 971R, que liga a região à estação Santana do Metrô. Na Vila Zilda, registros mostraram veículos parados e motoristas fora dos ônibus.
Na Estrada do M’Boi Mirim, passageiros relataram espera superior a 40 minutos. Entretanto, esses registros não permitem confirmar o número total de veículos em circulação nem dimensionar a extensão dos problemas.
O PT também encaminhou pedidos de providências ao prefeito Ricardo Nunes e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O partido relatou dificuldades no transporte municipal, metropolitano e intermunicipal.
O TRE-SP confirmou o recebimento da representação e informou que denúncias sobre redução ou interrupção do transporte com possível prejuízo ao voto podem ser encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral e à Defensoria Pública da União.
A apuração sobre a frota de ônibus reduzida depende dos esclarecimentos solicitados à Prefeitura e à SPTrans. Até a divulgação de novas informações, os relatos apresentados não comprovam, por si só, o percentual efetivo de veículos em circulação.
