Periferias onde Lula venceu no 1º turno são as que apresentam a maior queda na circulação de ônibus em São Paulo

Levantamento aponta redução de 18,1% na oferta de coletivos nas áreas mais pobres, contra 10,6% nos bairros mais ricos, durante o segundo turno das eleições

Ônibus em São Paulo

Quantidade de ônibus em circulação na capital paulista ficou, em média, 31,4% abaixo do registrado em dias úteis, entre 11h e 14h/Paulo Pinto/Agência Brasil

A circulação de ônibus caiu de forma mais intensa nas periferias de São Paulo neste domingo (25/10), dia do segundo turno das eleições presidenciais.

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Um levantamento identificou que as regiões mais afetadas incluem bairros onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu no primeiro turno.

A quantidade de ônibus em circulação na capital paulista ficou, em média, 31,4% abaixo do registrado em dias úteis, entre 11h e 14h. Os dados fazem parte de um levantamento compilado pelo pesquisador Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

O estudo cruzou informações da SPTrans, da plataforma Olho Vivo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A análise comparou a circulação dos coletivos com as características socioeconômicas das regiões e os resultados eleitorais do primeiro turno.

A queda significativa na frota de ônibus fez com que a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) acionasse o TRE-SP contra Ricardo Nunes (MDB), o prefeito da capital paulista.

Periferias registram maior redução na circulação de ônibus

A diferença entre as regiões mais pobres e os bairros de maior renda chama a atenção. Nas áreas periféricas, a disponibilidade de ônibus caiu 18,1%, enquanto nos bairros mais ricos a redução chegou a 10,6%.

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Os números mostram uma diferença de 7,5 pontos percentuais entre os dois grupos. Na prática, a oferta de transporte coletivo diminuiu proporcionalmente mais nas regiões de menor renda durante o período analisado.

Para chegar aos resultados, o pesquisador utilizou registros da API pública Olho Vivo, da SPTrans. A plataforma permite acompanhar a localização dos ônibus e comparar a quantidade de veículos em circulação em diferentes períodos.

Segundo o levantamento, a redução média de 31,4% entre 11h e 14h foi semelhante aos índices de diminuição da frota divulgados durante o domingo eleitoral.

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Mais de 2 milhões de eleitores estão em locais com queda de pelo menos 20%

O cruzamento entre os dados de transporte e os resultados eleitorais também identificou uma concentração de locais de votação afetados em regiões onde Lula venceu no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Ao todo, 2.060.902 eleitores aptos a votar estão distribuídos por 466 locais de votação onde a circulação de ônibus caiu pelo menos 20% em comparação com o sábado (24/10).

Esses locais ficam em áreas nas quais o atual presidente superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) na primeira etapa da disputa. O levantamento, porém, identifica uma coincidência territorial entre os resultados eleitorais e a redução da oferta de transporte.

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Justiça Eleitoral determinou circulação de 100% da frota

A redução da oferta de ônibus também provocou questionamentos sobre o cumprimento de uma determinação da Justiça Eleitoral.

Na sexta-feira (23/10), o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans mantivessem 100% da frota municipal prevista para dias úteis em operação durante o segundo turno.

Apesar da decisão, passageiros relataram longos intervalos entre os coletivos em diferentes regiões da cidade. No Terminal Santo Amaro, na zona sul, usuários chegaram a esperar mais de uma hora por um ônibus com destino a Vargem Grande. O mesmo aconteceu no Terminal Sacomã, também na região sul.

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Prefeitura nega frota reduzida

A SPTrans afirmou que recebeu a notificação na véspera da votação e que o prazo reduzido dificultou a reorganização das escalas de trabalho e das jornadas dos motoristas.

A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, negou que a frota disponível fosse insuficiente para atender à demanda. O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a quantidade de ônibus na cidade era superior à necessidade dos passageiros.