Futebol: Clubes querem que Doria libere torcidas em estádios

Cinco clubes da série A trabalham junto à FPF pela autorização do governador para terem presença de torcidas em estádios no Brasileirão

Estadio de futebol

Estadio de futebol | ArturVerkhovetskiy

A presença em estádios durante os jogos do Campeonato Brasileiro deste ano está sendo colocada em pauta por cinco times paulistas da Série A. Os times querem que o governador João Doria (PSDB) autorize a ida aos locais dos jogos apesar da pandemia do coronavírus.

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Os cartolas de Corinthians, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo e Santos trabalham junto à FPF (Federação Paulista de Futebol) na busca pelo sim do político antes do conselho técnico do torneio nacional, marcado para terça-feira (28). 

Na ocasião, representantes das 20 agremiações e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) voltarão a deliberar sobre o tema. A tendência é que a maioria dos dirigentes vote pela volta da torcida a partir da rodada do dia 2 de outubro, a 23ª da Série A. 

Pelo plano atualmente estabelecido em São Paulo, a realização de jogos com a presença de público, assim como shows e pistas de dança, será liberada somente a partir de 1º de novembro. 

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Pelos critérios adotados pelos estados hoje, além dos times paulistas, somente Bahia e Sport não teriam o aval das autoridades sanitárias para receber torcedores no mês que vem. 

Após uma reunião com os cinco times, a FPF se comprometeu a solicitar ao governador uma liberação de pelo menos 30% da capacidade dos estádios, mas ainda não obteve parecer favorável. 

Doria se mostrou reticente e não pretende recuar. Sua ideia é manter a volta do público em novembro -mês em que a capital paulista sediará prova de F1 em Interlagos, com estimativa de 40 mil pessoas no autódromo em cada um dos três dias do fim de semana da etapa. 

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“Há um prejuízo esportivo quando as regras não são as mesmas para todos. Esse será o caso se alguns clubes puderem ter seus torcedores no estádio e outros, não”, diz o Palmeiras, através de sua assessoria. 

Com o veto em São Paulo, o time alviverde, por exemplo, é o único mandante entre os semifinalistas da Copa Libertadores que não pode contar com o apoio dos seus fãs. Seu adversário, o Atlético-MG, assim como Flamengo e Barcelona de Guayaquil (EQU), tem aval das autoridades locais -e a anuência da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). 

Já o Red Bull Bragantino se apoiou em uma autorização da prefeitura de Bragança Paulista para receber 2.504 pessoas contra o Libertad (PAR), na última quarta (22), pela semifinal da Copa Sul-Americana. Todos precisaram apresentar comprovante de vacinação (duas doses ou a dose única) e o exame PCR (negativo) feito a partir de 72 horas antes da partida. 

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Em nota à imprensa, o governo de São Paulo reiterou que os “eventos que possam provocar grandes aglomerações continuam vetados em todos os 645 munícipios do estado”. A prefeitura de Bragança Paulista não acatou tal ordem e afirmou, em seu portal, que o confronto serviu como teste para retomada de diversos eventos. 

No último conselho técnico da CBF, no dia 8, representantes de 19 times concordaram com a manutenção do veto sob a alegação de defender a isonomia na competição. Havia também a intenção de impedir o avanço do Flamengo, que obteve decisão favorável, em caráter liminar, do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). 

Otávio Noronha, presidente do órgão, disse que cabia ao poder público o veto aos torcedores, não à CBF.
Com essa decisão, o time rubro-negro nem sequer participou da reunião com os demais times e a confederação. No dia 15, recebeu o Grêmio pela Copa do Brasil diante de 6.446 pessoas no Maracanã (6.277 pagantes). 

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Horas depois do confronto, na madrugada de quinta, o auditor Felipe Bevilacqua, do STJD, suspendeu, até a data do conselho técnico (28), os efeitos da liminar concedida ao Flamengo. Bevilacqua acatou um pedido de 17 clubes da Série A e da CBF -Atlético-MG e Cuiabá também não participaram. 

Atlético-MG e Cuiabá não quiseram se opor ao Flamengo no STJD porque possuem liminares semelhantes e o aval das autoridades locais. Líder do Campeonato Brasileiro, os atleticanos deixaram claro que, se o time carioca recebesse torcedores contra o Grêmio, fariam o mesmo na rodada seguinte, em Belo Horizonte. 

Na tentativa de apagar o incêndio, a diretoria rubro-negra não recorreu ao STJD e encarou o Grêmio de portões fechados no último domingo (19), pelo Brasileiro. 

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A pouco mais de dois meses do término da temporada, os dirigentes ouvidos pela reportagem apostam que, com mais de dez times aptos a receber o seu torcedor, o argumento da isonomia cairá por terra no conselho técnico da semana que vem. 

Outra esperança é que, a partir da liberação oficializada pela CBF, haverá pressão maior sobre os políticos que insistirem na restrição. 

“Para a partir do dia 2, somos favoráveis e vamos votar assim. Cada clube tem que resolver o mais rápido possível em suas praças, porque não faz mais sentido governo e prefeito deixarem de liberar”, diz o presidente do Atlético-MG, Sérgio Coelho. 

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Caso seja confirmada a volta em outubro e Doria não atenda ao pedido de 30% da capacidade dos estádios, a FPF planeja solicitar à Secretaria do Desenvolvimento Econômico, que é a responsável pelo Plano SP, que os jogos sejam realizados como eventos-modelo. 

Essa modalidade, implantada por Doria em julho, previa inicialmente 30 eventos na capital e no interior, somente dois esportivos entre eles: a corrida de rua Volta SP 10 Km, realizada em agosto com 1.200 pessoas, e o próprio GP São Paulo de F1. O limite de público é reduzido e definido de acordo com a estrutura do local. 

Já o deputado estadual Antonio Assunção de Olim (PP), que é presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP) diz que, a pedido de dirigentes e torcedores, levou a demanda ao presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Carlão Pignatari (PSDB). 

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“É preciso tentar reverter essa decisão. O Carlão ficou de conversar com o Rodrigo Garcia [vice-governador, também do PSBD] para que libere em outubro”, diz Olim. 

Procurados pela reportagem, Bragantino, Corinthians, São Paulo, Santos e FPF não se manifestaram até a publicação deste texto.