A negociação salarial entre os Correios e seus empregados entrou em uma nova fase após a rejeição da proposta de acordo coletivo apresentada pela estatal durante mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Com o impasse, o caso será analisado por meio de dissídio coletivo, o que transfere à Justiça do Trabalho a definição das regras do próximo acordo. A decisão foi tomada na terça-feira (23/12).
Na prática, caberá ao TST decidir quais cláusulas irão compor o novo acordo coletivo de trabalho, diante da falta de consenso entre empresa e sindicatos.
O presidente do tribunal, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, determinou que os ministros da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) fiquem de prontidão, inclusive durante o recesso do Judiciário, para eventual julgamento imediato.
A Corte avalia que uma eventual greve dos Correios, ainda que parcial, pode comprometer a prestação de serviços em um período considerado crítico, com aumento da demanda logística no fim de ano. Por isso, o caso recebeu prioridade.
Sindicatos rejeitam proposta e aprovam indicativo de greve
A decisão foi tomada em assembleias realizadas na terça-feira (23). O resultado mostrou divisão entre as entidades sindicais: 18 sindicatos rejeitaram a proposta, enquanto 16 aprovaram o texto.
Apesar do placar apertado, a maioria aprovou o indicativo de greve nacional.
Em nota aos funcionários, os Correios afirmaram que a rejeição encerra a etapa de negociação direta e leva formalmente o processo ao dissídio coletivo.
A empresa diz que seguirá atuando no campo judicial para garantir a continuidade do serviço.
Empresa alerta para impacto financeiro de paralisação
Antes da votação, a estatal divulgou um vídeo com a diretora de Gestão de Pessoas, Natália Mota, pedindo uma “decisão consciente” dos trabalhadores.
Segundo ela, a situação financeira da empresa é delicada e uma paralisação pode gerar impactos operacionais e dificultar a recuperação dos Correios.
“A proposta não é ideal, mas reflete os limites da realidade atual e busca preservar direitos importantes”, afirmou a executiva.
O vídeo teve ampla circulação entre os empregados.
Pontos do acordo que geraram impasse
Entre os principais pontos de resistência dos trabalhadores está o fim do ponto por exceção para carteiros, previsto para agosto de 2026.
O modelo atual garante pagamento de horas extras sem exigir compensação quando a jornada é menor, algo que, segundo a direção da empresa, dificulta o controle de produtividade.
A proposta também previa o fim da hora extra tripla em domingos e feriados, com o adicional passando de 200% para 100%, conforme a CLT.
Outro fator de insatisfação foi a exclusão do vale-peru, bonificação de fim de ano de R$ 2.500.
Por outro lado, os Correios aceitaram manter benefícios acima do mínimo legal, como o adicional de 70% sobre as férias.
O texto ainda previa reajuste salarial de 5,13% a partir de abril de 2026, com efeito retroativo a janeiro, além de um novo reajuste em agosto, atrelado à inflação acumulada.
O que acontece agora
Com a rejeição da proposta, o futuro do acordo coletivo e o risco de greve nos Correios passam a depender da decisão do TST, que deverá arbitrar as cláusulas do novo contrato.
