Um visitante anônimo adquiriu uma estranha cabeça empalhada por cerca de 67 dólares durante uma feira de antiguidades na Inglaterra. O comprador sentiu atração pelos olhos arregalados e pelo sorriso cômico do objeto, acreditando tratar-se de uma simples peça decorativa antiga.
Sem imaginar o real valor do item, o antigo dono colocou o objeto para a venda na casa de leilões Auctioneum, localizada em Bristol, no sudoeste inglês.
Nesse período, o negociante de relíquias de história natural James Cranfield, de 38 anos, encontrou o lote catalogado como uma “cabeça de raposa do século 19” enquanto navegava em um site de leilões. Cranfield mantinha o hábito de coletar peças de taxidermia para demonstrar a diversidade entre os espécimes.
No entanto, a imagem ampliada na tela do computador causou um verdadeiro choque em sua mente. O especialista percebeu imediatamente que a estrutura óssea não correspondia a um canídeo comum, mas sim a um lendário tigre-da-tasmânia.
Outro animal observado por especialistas que surpreendeu com seu caso foi uma onça-parda, que, rastreada por um colar, retornou três vezes ao local de onde foi salva pela primeira vez.
Confirmação científica de uma relíquia histórica
Cranfield e sua noiva viajaram por três horas e meia de madrugada para examinar a peça presencialmente na casa de leilões.
O especialista inspecionou a dentição e confirmou a suspeita inicial ao contar a quantidade exata de dentes incisivos. Para arrematar o lote raro no leilão, Cranfield pagou 85 mil dólares (R$ 435.608, na cotação atual).
Posteriormente, o colecionador submeteu a peça a exames de raio-X e tomografia computadorizada. Os testes médicos revelaram a presença de um crânio completo e perfeitamente preservado no interior da estrutura.
Da mesma forma, o leiloeiro Andrew Stowe manifestou enorme surpresa com o achado extraordinário do crânio de um tigre-da-tasmânia.
Stowe destacou que entusiastas e instituições pagam milhares de libras até mesmo por réplicas de ossos dessa espécie, tornando a descoberta de um artefato original algo quase inaudito no Reino Unido.
Um tesouro biológico de valor incalculável para a ciência
O tigre-da-tasmânia, também chamado de tilacino, representava um marsupial carnívoro que exibia listras marcantes nas costas. A espécie habitava a Austrália e a Papua-Nova Guiné, mas os colonizadores europeus confinaram a população restante à ilha da Tasmânia.
A caça predatória, as doenças e a perda de hábitat extinguiram o animal, cujo último exemplar morreu em um zoológico no ano de 1936.
Atualmente, o Banco de Dados Internacional de Espécimes de Tilacino registra cerca de 815 itens relacionados ao animal em todo o mundo. Apesar disso, os cientistas têm conhecimento de apenas uma outra cabeça empalhada da espécie, cujo paradeiro atual permanece um mistério.
Por essa razão, Cranfield afirmou que não pretende guardar a peça apenas como um troféu pessoal. O colecionador pretende disponibilizar a relíquia histórica para que acadêmicos e instituições realizem estudos científicos sobre essa espécie extinta.







