Em 2003, Angelina Jolie comprou uma propriedade no noroeste do Camboja, cercada por cerca de 39 hectares. O terreno ficava próximo de Samlaut, uma região que enfrentava problemas como caça furtiva, extração ilegal de madeira e degradação ambiental.
A relação da atriz com o local acabou tomando uma proporção muito maior. Em vez de a história terminar nos limites da propriedade, a fundação criada por Jolie passou a atuar na conservação da área florestal de Samlaut.
Em 2006, a Maddox Foundation assumiu a responsabilidade pela proteção do Samlaut Multiple Use Area, território oficialmente descrito pela organização como uma floresta de 60,9 mil hectares. A área fica entre as províncias de Battambang e Pailin.
Um ponto importante é que Jolie não comprou os 60,9 mil hectares. A propriedade adquirida pela atriz e a área protegida são coisas diferentes. O trabalho de conservação passou a envolver a fundação, autoridades e comunidades locais.
Guardas passaram a patrulhar
A estratégia adotada em Samlaut inclui a participação de moradores da região. Segundo a Maddox Foundation, pessoas locais foram recrutadas e treinadas para atuar como guardas florestais, realizando patrulhas contra a extração ilegal de madeira e a caça.
O trabalho também envolve ações de reflorestamento e iniciativas voltadas às comunidades que vivem no entorno da área protegida. A partir de 2022, por exemplo, a fundação ampliou ações de preservação da paisagem e distribuição de mudas para recuperação de áreas.
A dimensão da floresta ajuda a entender a diferença entre os 39 hectares da propriedade comprada por Jolie e o território que passou a receber ações de conservação.
A área protegida possui mais de 600 quilômetros quadrados e abriga uma variedade de espécies encontradas nas florestas do Sudeste Asiático.
Floresta abriga espécies ameaçadas
Um levantamento de biodiversidade realizado pela Fauna & Flora em Samlout identificou mais de 140 espécies de aves, 30 espécies de mamíferos, 15 espécies de morcegos e cerca de 50 espécies de orquídeas.
Entre os animais registrados estão o elefante-asiático, o pangolim-de-Sunda, o dhole, o urso-negro-asiático e o gaur. A pesquisa também confirmou a presença de espécies ameaçadas, incluindo o elefante-asiático e o pangolim-de-Sunda.
O levantamento foi realizado entre 2021 e 2022 e contou com armadilhas fotográficas para registrar animais difíceis de encontrar. Os pesquisadores documentaram 44 espécies por meio desse método, incluindo 28 mamíferos e 15 aves.
Ameaças ainda existem
Mesmo com as ações de proteção, Samlaut continua enfrentando problemas. As câmeras usadas no levantamento registraram pessoas armadas e evidências de armadilhas para captura de animais.
Em 2025, as patrulhas retiraram cerca de 7.800 metros de fios usados em armadilhas. O dado mostra que o trabalho de conservação não se resume à recuperação da floresta, mas também envolve a fiscalização contínua do território.
Mais de duas décadas depois da compra da propriedade, a história de Angelina Jolie no Camboja ganhou uma dimensão muito diferente daquela que começou em 2003. A área particular adquirida pela atriz se tornou o ponto de partida de uma atuação de conservação que hoje envolve uma floresta de 60,9 mil hectares e uma biodiversidade que inclui animais ameaçados.






