Augusto Cury cobra auditoria dos algoritmos da Meta e afirma que redes podem limitar alcance de sua campanha

Candidato do Avante afirma ter dúvidas sobre a circulação de seus conteúdos e defende análise independente com especialistas nacionais e internacionais

Augusto Cury questiona alcance nas redes e cobra auditoria internacional dos algoritmos da Meta /Yuri Villaça/Gazeta de S. Paulo

O candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury, defendeu uma auditoria independente e internacional dos algoritmos das redes sociais para investigar se o alcance de sua campanha estaria sendo afetado.

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Ele afirmou ter dúvidas sobre o funcionamento das plataformas e pediu que a análise também considere a atuação sobre pequenos e médios influenciadores.

As declarações foram dadas em resposta a perguntas da colunista da Gazeta de S. Paulo, Micarla Lins, em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (17/9).

Questionado se a possível interferência estaria relacionada à Meta ou a outros agentes, Cury afirmou que considera necessária uma investigação ampla.

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Temos todas as dúvidas. Eu quero que ocorra essa auditoria séria e independente e também dos pequenos e médios influenciadores.

Segundo o candidato, a questão não estaria restrita às próprias contas.

Cury afirmou acreditar que possíveis efeitos dos algoritmos atingem as redes sociais de diferentes pessoas e candidatos.

Ao mesmo tempo, levantou a hipótese de que o desempenho de seus conteúdos possa ter motivado uma tentativa de enfraquecer sua candidatura.

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Como eu estava tendo uma procura e uma quantidade enorme de comentários e posts de simpatizantes, jornalistas, pessoas que defendem e também pessoas que atacam, o objetivo — quero que se verifique — se não era destruir a única candidatura que luta com unhas e dentes para terminar essa doença dramática da polarização.

Cury ressaltou que não quer limitar a eventual investigação à empresa responsável pelas plataformas.

De acordo com ele, a participação de especialistas de outras áreas e de auditores internacionais seria necessária para verificar o funcionamento dos sistemas.

Eu peço também que haja auditores não apenas nacionais, mas internacionais. Agora, eu não sei se a Meta vai topar. Eu espero que sim.

Cury diz que Meta sinalizou conversa

Durante a entrevista, o candidato afirmou ter recebido uma sinalização da Meta para conversar sobre o assunto.

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Para ele, porém, uma eventual reunião com a empresa não seria suficiente para esclarecer as dúvidas sobre a distribuição dos conteúdos.

Ontem já recebi: ‘Olha, queremos conversar com você sobre uma série de coisas’, mas não basta só a Meta. Eu quero que haja especialistas de outras áreas.

Cury argumentou que os algoritmos podem interferir na forma como as informações chegam aos usuários e, consequentemente, na capacidade de divulgação de uma campanha.

Tem que se abrir, porque o algoritmo pode filtrar o que você envia e o que você não envia, filtrar as informações e contrair a capacidade de divulgação.

Na sequência, o candidato criticou o que considera uma concentração de poder nas plataformas digitais.

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Então, não pode ser a ditadura do dinheiro, não pode ser a ditadura do controle.

Candidato cobra transparência antes das eleições

Questionado sobre o que esperaria da Meta caso fosse comprovado algum prejuízo à campanha, Cury destacou a proximidade das eleições e afirmou que tomou conhecimento da situação apenas recentemente.

Essa é minha dor. Essa que nós ficamos sabendo há dois ou três dias o que ocorreu. Essa é a minha dor. E isso pode não dar tempo.

Por isso, ele defendeu que a abertura das informações ocorra rapidamente.

Eu espero que a Meta abra os algoritmos o mais rápido possível para que haja democracia na transparência das informações, na condução das informações.

Apesar da preocupação com o alcance digital, Cury afirmou estar confiante em sua possibilidade de chegar ao segundo turno.

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Ele reconheceu que algumas pesquisas apresentam cenário diferente, mas relatou ter recebido manifestações de apoio durante atividades presenciais de campanha.

Eu estou muito tranquilo porque eu creio que eu vou estar no segundo turno, ainda que algumas pesquisas dizem que não.

O candidato citou uma passagem pelo Mercado Municipal como exemplo da recepção que diz ter encontrado nas ruas.

Segundo seu relato, recebeu abraços e manifestações de apoio de pessoas que afirmavam estar com ele em diferentes regiões do País, incluindo nordeste, Pará, sul e centro-oeste.

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Projeto de Cury tem foco na pacificação e no ensino técnico

Além das críticas sobre o ambiente digital, Cury apresentou durante a coletiva a proposta de utilizar sua candidatura como uma transição para um cenário político menos polarizado.

Ele afirmou não ter como objetivo construir uma carreira política e disse querer atuar para aproximar grupos que hoje estão divididos.

Eu quero ser apenas a transição entre um velho país, um país dividido, um País onde as pessoas, as famílias não conseguem conversar sobre política, um país onde não se discute projetos.

A educação aparece como um dos principais eixos apresentados pelo candidato. Cury defendeu uma reformulação do currículo das escolas públicas e destacou a ampliação do ensino técnico como parte de sua proposta.

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Segundo ele, o modelo atual não oferece formação técnica a uma parcela suficiente dos estudantes do ensino médio.

Por que 21% só faz ensino técnico. Isso não tem sentido algum num País com tantas dificuldades. Nós queremos repaginar.

Cury também relacionou a proposta educacional a medidas voltadas ao empreendedorismo.

Entre as ideias mencionadas por ele estão a criação de um banco do empreendedor e de uma escola do empreendedor em comunidades e favelas.

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Crítica à polarização entre lulistas e bolsonaristas

A tentativa de romper com a divisão entre os apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro é apresentada pelo candidato como um dos pontos centrais de seu projeto.

Cury afirmou que a polarização dificulta o debate sobre projetos e também impede que os próprios grupos políticos façam críticas aos seus líderes.

Para ele, a identificação excessiva com os dois campos acaba fechando espaço para o diálogo.

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Os piores inimigos de Bolsonaro são os bolsonaristas. Os piores inimigos de Lula são os lulistas.

Segundo Cury, a falta de críticas dentro desses grupos “impede que eles evoluam” e limita a possibilidade de ampliar o debate político.

Ao final, o candidato voltou a relacionar esse cenário à dificuldade de sua própria campanha alcançar públicos fora das bolhas digitais.

As pessoas estão encantadas com esse projeto, estão abraçando esse projeto, mas eu não sei se nós vamos furar a bolha.