Homem que admite ter agredido congolês Moïse se apresenta à polícia no Rio

O suposto agressor, que é funcionário do quiosque vizinho e não teve o nome divulgado, foi até a 34ª delegacia na tarde desta terça

Homem que admitiu participação nas agressões

Homem que admitiu participação nas agressões | Reprodução

Um homem que diz ter participado das agressões contra o congolês Moise Mugenyi se apresentou à polícia do Rio de Janeiro nesta terça-feira (1º). O estrangeiro foi encontrado morto próximo a um quiosque na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca, no último dia 24. 

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O suposto agressor, que é funcionário do quiosque vizinho e não teve o nome divulgado, foi até a 34ª delegacia pela manhã junto da família para contar sua versão do que aconteceu. Por volta das 13h30, foi levado à Delegacia de Homicídios (DH), que investiga o caso, para depor, mas não havia chegado até as 15h. 

A família de Moise diz que ele foi espancado até a morte por ter cobrado diárias que estavam atrasadas.

Segundo os parentes, o congolês trabalhava em um quiosque na praia da Barra, onde teria sido agredido por cinco homens, incluindo um homem que naquele momento atuava como gerente. 

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Ao menos oito pessoas foram ouvidas pela Delegacia de Homicídios, incluindo cinco funcionários dos quiosques. Os advogados do dono do estabelecimento, que não teve o nome divulgado, chegaram à unidade pela manhã sem falar com a imprensa. Seu depoimento estava previsto para esta terça, mas até agora não aconteceu. 

Pela manhã, movimentos negros fizeram um ato em frente à DH pedindo por Justiça. Eles também organizam uma manifestação no próximo sábado (5) com a família de Moise em frente ao quiosque Tropicália, onde o congolês foi morto. 

Segundo a presidente da Unegro (União de Negras e Negros pela Igualdade), Cláudia Vitalino, ao menos outros três homicídios de congoleses já foram registrados no Brasil. “A informação é do Consulado do Congo, mas os outros casos não tiveram repercussão. Se fosse um homem branco, seria diferente”, afirma. 

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A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do RJ), também esteve na delegacia e disse que acompanha o caso junto à OAB –advogados da Comissão de Direitos Humanos da Ordem compareceram na unidade à tarde para tentar ter acesso ao inquérito. 

“Negros e negras no nosso país, sejam brasileiros ou aqueles que pedem asilo político, não são vistos como cidadãos. O Moise foi cobrar duas diárias, isso equivale a R$ 200”, disse a deputada. “A vida negra vale R$ 200?”, interveio Mônica Cunha, que representa as mães de mortos na comissão. 

Moise chegou ao Brasil com 11 anos na condição de refugiado político e morava atualmente em Madureira, na zona norte do Rio. Em nota, a comunidade congolesa no Brasil classificou a morte dele como uma manifestação de racismo e xenofobia. 

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“Por isso, exigimos a justiça para Moise e que os autores do crime junto ao dono do estabelecimento respondam pelo crime! Combater com firmeza e vencer o racismo, a xenofobia, é uma condição para que o Brasil se torne uma nação justa e democrática “, diz o documento.