Algoritmos desenhados quase exclusivamente por mentes masculinas moldam silenciosamente o mercado digital brasileiro, onde apenas 4,7% dos cargos executivos de inteligência artificial estão sob o comando de mulheres.
O dado alarmante, revelado por um levantamento inédito do LinkedIn em 27 países, coloca o Brasil em uma posição abaixo do cenário internacional. A média global de executivas na cúpula da IA atinge 13,3%, quase o triplo do índice registrado em solo nacional.
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Barreiras na ascensão executiva
Barreiras invisíveis de retenção e promoção represam o talento feminino logo no início da subida corporativa, demonstrando que o problema não reside na atração inicial de profissionais.
Na base operacional das empresas de IA do país, abaixo do nível decisório, as mulheres ocupam 22,1% das vagas de inteligência artificial.
Essa queda vertiginosa de quase 18 pontos percentuais entre a operação e o topo expõe um afunilamento estrutural, cortando abruptamente a participação feminina na criação de produtos e direcionamento de investimentos estratégicos.
Decisões financeiras de grande porte, alocação de capital de risco e concessão de patrocínios permanecem sob domínio majoritariamente masculino no mercado de inovação brasileiro (IA).
Essa assimetria crônica isola as mulheres com plena qualificação técnica dos círculos de influência e da alta gerência, gerando um viés na evolução das carreiras e perpetuando o teto de vidro na tecnologia da inteligência artificial.
Mulheres estão no comando de compras e vendas virtuais
Sistemas de segurança digital e algoritmos de comércio eletrônico, o e-commerce, nascem viciados exatamente porque ignoram a perspectiva da sua principal força consumidora.
Segundo o Relatório de Identidade e Fraude 2025 da Serasa Experian, as mulheres lideram 60,1% das transações do e-commerce no Brasil (superando a taxa de 53,2% dos homens) e comandam o consumo em praticamente todas as categorias pesquisadas.
Em um país onde 82% da população realiza compras online mensalmente, o apagão de executivas no topo da IA cria produtos cegos para a realidade de quem move a economia digital.
Diversidade de gênero é a solução
Métricas claras de promoção interna e programas rígidos de aceleração de carreira surgem como exigências urgentes para reverter esse apagão de diversidade, segundo recomendações do estudo W-Tech 2025, conduzido pelo Observatório Softex.
A pesquisa defende uma revisão completa dos processos de seleção executiva para eliminar vícios na contratação e garantir competitividade internacional.
A diversidade é a força que impulsiona o futuro do nosso setor. Não basta falar em inovação sem falar em inclusão. Precisamos de políticas permanentes, métricas claras e comprometimento real de todos os atores (governo, empresas e academia) para garantir que as mulheres estejam no centro da transformação digital brasileira, afirma Rayanny Nunes, Coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.
Mapeamento da presença feminina em IA
Mapeamento criterioso do LinkedIn auditou perfis profissionais em 27 nações para consolidar este panorama global, avaliando exclusivamente cargos de cúpula como C-level, diretoria e vice-presidência diretamente responsáveis pelo desenvolvimento, gestão e produtos baseados em inteligência artificial.






