Califórnia afunda árvores de Natal descartadas em lagos e transforma galhos em berçários para peixes jovens durante anos

Galhos que sustentavam luzes e enfeites permanecem anos debaixo d’água, onde oferecem proteção e alimento à vida aquática

À esquerda, biólogos transportam árvores de Natal recicladas; à direita, peixes jovens encontram abrigo entre galhos submersos (Foto: Reprodução/CDFW/Derek Rupert/USFWS)

À esquerda, biólogos transportam árvores de Natal recicladas; à direita, peixes jovens encontram abrigo entre galhos submersos (Foto: Reprodução/CDFW/Derek Rupert/USFWS)

Depois que as luzes são guardadas e os enfeites deixam os galhos, milhares de árvores de Natal seguem para pontos de coleta. Em diferentes regiões da Califórnia, parte delas recebe um destino pouco comum: o fundo de lagos e reservatórios.

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Equipes retiram qualquer objeto que possa contaminar a água, agrupam os troncos e prendem as árvores com cabos ou blocos de concreto. Em seguida, levam as estruturas até pontos escolhidos dos reservatórios e as mantêm submersas.

Debaixo d’água, os galhos deixam de sustentar bolas e pisca-piscas. Em vez disso, formam corredores estreitos onde peixes jovens conseguem se esconder de predadores durante os primeiros estágios da vida.

Árvores mudam seu destino

O Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia coordena um dos programas mais antigos do estado. Técnicos recolhem árvores doadas, conferem se os galhos estão livres de luzes, enfeites, neve artificial e outros materiais e transportam tudo até os reservatórios.

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Em Green Springs Reservoir, no condado de Modoc, uma operação reuniu cerca de 200 árvores de Natal recicladas. A equipe montou 22 estruturas e distribuiu os conjuntos pelo fundo do reservatório.

Já no Lago Oroville, iniciativas semelhantes ocorrem desde pelo menos 1993. Ao longo dos anos, o programa reuniu órgãos estaduais, escoteiros, clubes comunitários e integrantes do California Conservation Corps.

As equipes passam cabos pelos troncos, agrupam as árvores e escolhem locais estratégicos para fixá-las. Assim, as estruturas continuam submersas mesmo quando o nível da água varia.

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Galhos se transformam em abrigo

Reservatórios antigos perdem parte da vegetação que ficou submersa durante a formação dos lagos. Com o passar dos anos, troncos e galhos se decompõem, enquanto pouca madeira nova chega ao fundo para substituí-los.

Sem essa estrutura, peixes pequenos encontram menos lugares para escapar de espécies maiores. Além disso, os animais se espalham por áreas extensas, o que altera a dinâmica de alimentação dentro do reservatório.

As árvores de Natal ajudam a reconstruir temporariamente esse ambiente. Seus galhos formam uma espécie de labirinto, capaz de abrigar peixes jovens, como bass, crappie e bluegill.

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Segundo técnicos da Califórnia, mergulhadores já encontraram animais ao redor das estruturas poucos dias depois da instalação. Primeiro, chegam os peixes menores. Depois, espécies maiores se aproximam em busca de alimento.

Estudos medem efeitos

Apesar da ocupação rápida, os resultados não aparecem da mesma maneira em todos os reservatórios. Uma pesquisa publicada na revista Fisheries Management and Ecology analisou durante quatro anos a inclusão de madeira em um reservatório de Illinois.

Os pesquisadores não detectaram mudanças relevantes entre o zooplâncton e os invertebrados que vivem no fundo. Por outro lado, registraram aumento na produtividade reprodutiva do bluegill e mudanças positivas no tamanho dos largemouth bass.

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Ainda assim, o número de bluegills adultos não cresceu na mesma proporção. O estudo, portanto, diferencia a reprodução maior de um aumento efetivo da população adulta.

Outro trabalho publicado em 2023 analisou estruturas de madeira em um lago do Canadá. Os modelos indicaram que diferentes espécies passaram a frequentar mais as áreas modificadas. Porém, os cientistas não encontraram melhora provável na condição física geral dos animais.

Benefício tem prazo

As árvores de Natal também não permanecem intactas para sempre. Como as coníferas se degradam mais rapidamente que madeiras duras, seus galhos perdem volume e complexidade com o passar do tempo.

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Em alguns projetos, problemas de ancoragem surgiram logo nas primeiras semanas. Outras pesquisas acompanharam estruturas submersas por vários anos e constataram que muitas já estavam achatadas antes de completar uma década.

Além disso, nem todos os programas comparam as áreas modificadas com trechos preservados do mesmo reservatório. Essa limitação dificulta saber se as árvores realmente aumentam as populações ou apenas concentram os peixes em determinados pontos.

Por isso, os técnicos tratam a prática como complemento, e não como substituição da vegetação aquática natural. Mesmo temporários, os galhos oferecem proteção justamente no período em que os peixes jovens enfrentam maior risco de predação.

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Assim, a árvore que deixa o espaço da sala depois do Natal ainda pode cumprir outras funções. Em vez de seguir diretamente para um aterro ou triturador, ela permanece por alguns anos no fundo de um lago, onde ajuda a reconstruir parte do bioma, além de servir de abrigo para diversos tipos de peixes.