O rover Perseverance, veículo robótico usado pela NASA para explorar a superfície de Marte, está prestes a atingir uma marca histórica em Marte. Após mais de cinco anos explorando o planeta vermelho, o equipamento já percorreu 41,99 quilômetros na superfície marciana e deve ultrapassar, nas próximas semanas, a distância oficial de uma maratona: 42,2 km.
A missão, que começou em fevereiro de 2021, segue em ritmo intenso e continua revelando pistas importantes sobre o passado de Marte. Além de estudar o clima e a geologia marciana, o Perseverance busca sinais de vida microscópica antiga e coleta amostras de rochas que poderão ser trazidas para a Terra em futuras missões.
Segundo Robert Hogg, gerente da missão, o rover segue em operação quase perfeita. Já o cientista Ken Farley, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), afirmou que o veículo ainda possui energia suficiente para continuar ativo por pelo menos mais uma década.
Perseverance encontra sinais promissores em Marte
Desde que pousou na Cratera de Jezero, região que bilhões de anos atrás abrigava água líquida e um antigo lago, o Perseverance vem acumulando descobertas consideradas fundamentais para entender se Marte já teve vida.
A revelação mais importante aconteceu no ano passado, quando a NASA anunciou que uma amostra coletada em uma rocha avermelhada apresentou possíveis indícios de atividade microbiana antiga.
Apesar do entusiasmo, os cientistas explicam que ainda será necessário analisar o material em laboratórios na Terra para confirmar se os sinais realmente têm origem biológica.
Além disso, o rover identificou moléculas orgânicas no planeta e registrou fenômenos raros na atmosfera marciana, como descargas elétricas ligadas aos chamados “dust devils”, redemoinhos de poeira comuns em Marte.
O Perseverance também fez história ao observar pela primeira vez uma aurora visível no planeta vermelho, deixando o céu iluminado por um brilho esverdeado.
Missão da NASA tenta desvendar origem da vida
Atualmente, o rover opera fora da Cratera de Jezero, analisando rochas com mais de 4 bilhões de anos, algumas das mais antigas já estudadas em Marte.
Para os cientistas, esses materiais podem ajudar a explicar como surgiram as primeiras formas de vida no Sistema Solar. Isso porque Marte e a Terra se formaram praticamente na mesma época, há cerca de 4,5 bilhões de anos.
Segundo Ken Farley, o ambiente desse período pode ser muito parecido com o da Terra primitiva, antes do surgimento da vida.
Além do Perseverance, a NASA ainda mantém em atividade o rover Curiosity, que já percorreu quase 37 quilômetros desde 2012.
Outro destaque da missão foi o pequeno helicóptero Ingenuity, que entrou para a história ao realizar os primeiros voos controlados em outro planeta. O equipamento completou 72 voos em Marte antes de encerrar suas operações.
Mesmo após cinco anos, os pesquisadores afirmam que a região de Jezero continua oferecendo informações valiosas sobre o passado marciano, e talvez sobre a própria origem da vida.
