A viúva Lori Ann Kimball conheceu “Joe Hart” em um aplicativo de relacionamento e acreditou estar novamente conhecendo o amor. Um trabalhador de plataformas de petróleo com dificuldades financeiras, mas logo essa ilusão se dissolveu, pois era tudo parte de um golpe.
“Joe” era parte de uma rede internacional de fraudes operadas na Nigéria e Lori poderia ser apenas mais uma vítima. Porém, em uma reviravolta, a mulher enganada se tornou movimentadora dos ativos da quadrilha e chegou a operar milhões de dólares de outras vítimas.
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Da vítima ao esquema
Apesar de já ter enviado boa parte do seu patrimônio em criptomoedas para o golpista, Lori ainda continuava emocionalmente dependente dele. Nos meses que se seguiram, ela passou a movimentar dinheiro de outras vítimas, sob as instruções dele.
Entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2025, mais de US$ 3,4 milhões passaram pelas operações ligadas a ela, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Parte dos recursos era convertida em criptomoedas antes de seguir para carteiras de outras pessoas, principalmente na Nigéria.

Alertas foram ignorados
Antes mesmo de Lori enviar dinheiro ao falso namorado, uma amiga já havia alertado que “Joe Hart” provavelmente não existia. A americana continuou a relação mesmo assim e passou a esconder das pessoas próximas parte do que fazia.
Em dezembro de 2022 e janeiro de 2023, a polícia de Castle Rock conversou com Lori depois que outra vítima transferiu US$ 85 mil diretamente para ela. Os agentes explicaram que a movimentação podia fazer parte de um crime e que ela poderia ser enquadrada como cúmplice, caso continuasse.
Porém, os avisos não pararam a vítima iludida, agora criminosa. Em setembro de 2023, uma vítima entrou em contato diretamente com Lori para avisá-la sobre o esquema. Ela continuou com as operações ao longo de meses.

Segundo o acordo judicial, Lori chegou a informar a uma instituição financeira que os depósitos vinham de investidores interessados em um novo negócio de seguros de vida. Ao todo, ela utilizou pelo menos 20 contas bancárias e sete contas de criptomoedas.
Caso terminou na prisão
Quando enfim foi pega pelas autoridades, Lori se declarou culpada de conspiração para lavagem de dinheiro. Em março de 2026, aos 52 anos, foi condenada a um ano e um dia de prisão federal e obrigada a pagar US$ 3,11 milhões em restituições às vítimas.
Até o momento, Lori é a única pessoa publicamente identificada como ré no processo. Os demais integrantes da rede, incluindo o homem que se apresentava como “Joe Hart”, não tiveram suas identidades descobertas pelas autoridades.







