Uma cidade do interior paulista transformou uma iniciativa familiar em uma atividade que hoje movimenta milhares de empregos. Urupês, no noroeste do estado de São Paulo, ganhou o apelido de “Capital do Jeans” ao construir uma rede de pequenas confecções que passou a abastecer consumidores de diferentes regiões do Brasil.
A história começou em 1985, quando uma família instalou a primeira fábrica de jeans no município.
O empreendimento abriu caminho para outros negócios: ex-funcionários aprenderam a atividade e, depois, criaram suas próprias empresas. Aos poucos, essa multiplicação de confecções consolidou uma cadeia produtiva local.
Atualmente, a prefeitura estima que a cidade reúna cerca de 70 fábricas do setor e aproximadamente 3 mil empregos diretos e indiretos. Na alta temporada, a produção pode superar 1 milhão de peças por mês.
O reconhecimento estadual como Arranjo Produtivo Local (APL) do Jeans reforça a importância dessa concentração de empresas, trabalhadores e conhecimento especializado para a economia regional.
Antes das confecções, o café marcou a história de Urupês
Muito antes de se tornar conhecida pelas calças e jaquetas, a cidade construiu sua identidade em torno da agricultura. A ocupação da região começou na década de 1880, quando grupos de sertanistas chegaram em busca de terras para cultivo.
Segundo a história oficial do município, a expressão “Êta, Mundo Novo!”, dita por um dos exploradores ao contemplar a paisagem, inspirou o primeiro nome da localidade.
O café se tornou uma das principais riquezas da região, e a variedade conhecida como Mundo Novo ganhou destaque pela qualidade e produtividade.
Em 1928, a localidade conquistou autonomia municipal com o nome de Mundo Novo. Em 1944, passou a se chamar Urupês, em referência à obra homônima de Monteiro Lobato, que leva o nome de outra cidade no interior de São Paulo.
A economia também manteve uma forte ligação com o campo. Hoje, o limão-taiti divide protagonismo com o jeans: a cidade possui cerca de 3.500 hectares dedicados à fruta e uma produção anual superior a 89 mil toneladas, de acordo com dados divulgados pela prefeitura.
Relíquia religiosa e construções históricas estão entre os atrativos
Além da atividade industrial, Urupês oferece pontos de interesse para quem gosta de história e turismo religioso. Um dos destaques é a Igreja Matriz de São Lourenço, que abriga uma relíquia atribuída ao santo padroeiro.
O fragmento, com cerca de cinco milímetros, chegou à cidade em 10 de agosto de 2014, depois que o então pároco solicitou a peça em Roma. Segundo a prefeitura, o relicário fica no altar-mor e pode ser visitado diariamente.
Outro espaço ligado à memória local é o Centro Cultural instalado no prédio da antiga rodoviária, inaugurada em 1963. Para passeios ao ar livre, o município também destaca o Parque Municipal Governador Mário Covas, conhecido como Parque dos Lagos.
A cidade ainda promove eventos que movimentam a região, como a ExpoCultura, o rodeio e as Feiras da Família.
Em setembro de 2026, Urupês passou a integrar o Mapa do Turismo Brasileiro, na região turística “Águas, Sabores e Saberes”, o que permite disputar prioridade em programas federais de investimento no setor, conforme os critérios de cada iniciativa.
Como chegar a Urupês, no interior de São Paulo
Urupês fica a aproximadamente 420 quilômetros da capital paulista. De carro, a viagem costuma levar cerca de 4h30 a 5 horas, dependendo do trânsito e do trajeto escolhido.
Uma das rotas possíveis passa pelas rodovias dos Bandeirantes e Washington Luís, seguindo em direção a Catanduva e, depois, pelas estradas regionais até o município. A SP-379, Rodovia Roberto Mário Perosa, também conecta Urupês a cidades vizinhas.
Para quem pretende conhecer a cidade, vale combinar os pontos históricos com uma visita às lojas e confecções de jeans, confirmando previamente os horários de atendimento.
Assim, o passeio permite entender como um município de origem agrícola transformou a indústria têxtil em uma de suas marcas mais conhecidas.






