Em sua primeira Missa do Galo, nesta quarta-feira (24/12), o papa Leão 14 criticou a ganância do mundo moderno e reforçou a importância de acolher os pobres e estrangeiros.
A cerimônia começou às 18h (horário de Brasília) na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e reuniu cerca de 6.000 fiéis, enquanto milhares acompanharam a missa na Praça de São Pedro, protegidos da chuva por guarda-chuvas e capas.
“Enquanto uma economia distorcida leva a tratar os homens como mercadoria, Deus torna-se semelhante a nós, revelando a infinita dignidade de cada pessoa”, afirmou Leão 14. “Onde há lugar para a pessoa humana, há lugar para Deus. Até um estábulo pode se tornar mais sagrado que um templo.”
O pontífice lembrou que Jesus nasceu em um estábulo por falta de espaço em uma hospedaria e destacou: “Recusar ajuda aos pobres e estrangeiros hoje equivale a rejeitar Deus.”
Antes da missa, Leão 14 saudou os fiéis na praça. “Eu admiro, respeito e agradeço pela sua coragem e por quererem estar aqui esta noite”, disse ele, referindo-se à forte chuva.
Na quinta-feira (25/12), o papa celebrará a missa de Natal e fará a tradicional mensagem e bênção Urbi et Orbi.
Primeiro papa dos Estados Unidos
Nascido em Chicago, com dupla cidadania americana e peruana, Leão 14 é o primeiro papa dos Estados Unidos e o primeiro pontífice integrante da Ordem de Santo Agostinho.
Antes de ser eleito, atuava como cardeal responsável pelo Dicastério para os Bispos e pela Comissão Pontifícia para a América Latina.
Ele também foi bispo na cidade peruana de Chiclayo, onde viveu cerca de duas décadas como missionário.
Com perfil mais introspectivo que o antecessor, Leão 14 tem defendido a dignidade humana frente à inteligência artificial e os riscos de uma economia que trata pessoas como mercadoria.
Ele manteve políticas sociais de Francisco, como acolhimento a católicos LGBTQ+ e maior participação de mulheres em cargos de liderança, sem promover mudanças doutrinárias significativas.
O papa também tem se posicionado sobre política internacional, criticando o governo de Donald Trump pela comemoração de deportações de imigrantes e defendendo o diálogo em relação à crise na Venezuela.
