A investigação conduzida pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal na Operação Leste do Espinhaço detalhou a estrutura de um esquema que desviou R$ 86 milhões do INSS ao longo de duas décadas. A partir desse levantamento, o inquérito policial mapeou a atuação de uma rede criminosa dividida em núcleos específicos para falsificar documentos, injetar CPFs irregulares no sistema previdenciário e realizar saques de benefícios assistenciais direcionados a idosos.
A divisão de tarefas da organização
O inquérito apontou que o grupo operava dividido em quatro eixos funcionais. O primeiro núcleo era responsável pela liderança e falsificação documental em cartórios. O segundo atuava como intermediário nos trâmites junto ao INSS. O terceiro grupo era formado por dublês biométricos, pessoas reais que emprestavam o rosto e as impressões digitais para validar cadastros. Por fim, o quarto núcleo era encarregado de efetuar os saques dos valores nas agências bancárias.
A comprovação técnica por laudos periciais
Para rastrear o uso repetido de dados falsos, a Polícia Federal emitiu mais de 170 laudos papiloscópicos e biométricos. A perícia técnica comprovou que uma mesma impressão digital real foi cadastrada em dezenas de identidades diferentes criadas pela quadrilha. Esse cruzamento de dados técnicos permitiu comprovar a materialidade das fraudes em centenas de benefícios que estavam ativos.
O avanço das prisões e o bloqueio de valores
A Justiça Federal recebeu a denúncia contra 35 investigados e manteve 19 suspeitos em prisão preventiva para garantir a ordem pública. A atuação conjunta entre os órgãos de segurança e o Ministério Público permitiu o bloqueio de benefícios irregulares, interrompendo um prejuízo mensal estimado em dezenas de milhões de reais aos cofres públicos.








