Eleitores erram números de candidatos e anulam mais de 230 mil votos no Rio e no Distrito Federal

Digitação de legendas presidenciais em disputas para governador altera o resultado das urnas e deixa candidatos à beira da vitória no primeiro turno

A digitação incorreta de códigos partidários na urna eletrônica resultou na anulação de centenas de milhares de votos nos pleitos para o governo estadual / Ilustração IA/Gazeta de S.Paulo

O hábito do eleitor de associar os números das chapas presidenciais às disputas locais provocou a anulação de expressivas bancadas de votos no primeiro turno das eleições para governadores de 2026. Dados oficiais extraídos do sistema do Tribunal Superior Eleitoral e dos Registros Digitais de Voto (RDVs) apontam que mais de 230 mil pessoas digitaram números inválidos para o cargo de governador no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

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A digitação errônea dos códigos 13 e 22, pertencentes às maiores legendas nacionais, acabou figurando entre os votos nulos mais registrados em ambas as unidades da federação.

Votos nulos com o número 13 no Rio de Janeiro

A apuração das seções eleitorais do Rio de Janeiro mostrou que 204.309 eleitores digitaram e confirmaram o número 13 para a escolha do governador. Como o Partido dos Trabalhadores não lançou candidato próprio na cabeça da chapa fluminense, apoiando Eduardo Paes (PSD), e o número obviamente não estaria disponível a escolha foi convertida em voto nulo

A marca de votos anulados por esse código superou a soma da votação dos candidatos Coronel Busnello, André Marinho, Juliete, Cyro Garcia e Luan Monteiro, que obtiveram juntos 181.097 votos no estado.

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Margens de voto e a corrida para o segundo turno

O volume de votos nulos pelo número 13 equivaleu a mais de 70% de todo o desempenho apurado pelo terceiro colocado na disputa, Anthony Garotinho. Caso os eleitores tivessem digitado o número 55 de Eduardo Paes, a distância para o primeiro colocado, Douglas Ruas (PL), encurtaria consideravelmente.

Ruas encerrou o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, acumulando uma vantagem de mais de 560 mil votos que poderia ter caído para 359 mil se os eleitores alinhados à esquerda tivessem acertado o número da coligação.

Decisão no Distrito Federal vai para o segundo turno

Na capital federal, o equívoco com o número 22 causou um impacto ainda mais direto no desfecho da eleição. A governadora Celina Leão (PP) terminou a votação de domingo com 49,93% dos votos válidos, necessitando de uma fração mínima para liquidar o pleito no primeiro turno. Ao todo, 26.603 eleitores digitaram o 22 na urna do DF, tornando o código o segundo mais anulado, atrás apenas do 00.

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Sem atingir a metade mais um dos votos válidos, a candidata a reeleição enfrentará Leandro Grass (PT) no segundo turno, enquanto a Justiça Eleitoral ressalta que os registros do sistema não permitem distinguir erro involuntário de voto de protesto.