Quando o Lollapalooza chegou ao Brasil, São Paulo era outra: veja o que mudou desde 2012

Mais de uma década depois, o Lolla mudou de endereço e a cidade também: transporte, tecnologia, preços e hábitos ajudam a comparar as duas épocas

Na estreia do festival, em 2012, o evento ainda acontecia no Jockey Club, a passagem de metrô custava R$ 3 e os celulares tinham outro papel na rotina (Foto: Bianca Hirakawa)

Na estreia do festival, em 2012, o evento ainda acontecia no Jockey Club, a passagem de metrô custava R$ 3 e os celulares tinham outro papel na rotina (Foto: Bianca Hirakawa)

Parece que foi ontem, mas já faz mais de uma década que o Lollapalooza colocou São Paulo no mapa dos grandes festivais internacionais. Quando o evento estreou por aqui, em 2012, a cidade era outra, e alguns detalhes entregam imediatamente em que época estamos falando.

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A primeira edição brasileira aconteceu nos dias 7 e 8 de abril de 2012, no Jockey Club de São Paulo. Foo Fighters e Artic Monkeys estavam entre os grandes nomes daquela estreia, que reuniu mais de 50 atrações distribuídas por cinco palcos.

De lá para cá, o festival cresceu, mudou de endereço e passou a fazer parte do calendário musical da capital.

Mas o Lolla não foi a única coisa que mudou.

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Do Jockey Club para Interlagos

Quem conheceu o Lollapalooza em 2012 pode ter uma lembrança bem diferente de quem frequenta o festival atualmente.

Nas duas primeiras edições, o evento aconteceu no Jockey Club, na região do Morumbi. Em 2014, a organização decidiu mudar a sede para o Autódromo de Interlagos, na zona sul, em busca de mais espaço.

A diferença foi enorme.

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O espaço utilizado em Interlagos chegou a 600 mil metros quadrados, cinco vezes a área usada anteriormente no Jockey Club. A mudança resolveu algumas questões de estrutura, mas também trouxe um novo desafio: as distâncias entre os palcos ficaram muito maiores.

Na estreia em Interlagos, em 2014, o público precisou percorrer longos trechos para circular entre as atrações. Uma reportagem da época registrou deslocamentos de mais de dois quilômetros entre alguns palcos.

Ou seja: o famoso “vou ali ver outro show rapidinho” ficou bem mais complicado.

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E o transporte em 2012?

São Paulo de 2012 também tinha um transporte público com preços que hoje parecem pertencer a outra época.

Naquele ano, a passagem do Metrô e da CPTM custava R$ 3, valor que entrou em vigor em fevereiro. O Bilhete Único integrado entre ônibus e trilhos custava R$ 4,65.

Na época da primeira edição do Lollapalooza, o transporte também fazia parte da logística para chegar ao Jockey Club.

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E havia um detalhe que hoje pode parecer estranho para quem está acostumado às atuais opções de deslocamento: em 2012, a rede ainda estava passando por mudanças importantes na zona sul. O monotrilho da Linha 17-Ouro, por exemplo, ainda estava em obras e tinha previsão de funcionamento somente depois da Copa de 2014.

O celular também era outro

Talvez seja aí que a passagem do tempo fique mais evidente.

Em 2012, 122,7 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais tinham telefone celular para uso pessoal, segundo dados da PNAD. O número representava crescimento em relação ao ano anterior.

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Mas o universo conectado ainda estava longe de ser o mesmo de hoje.

Naquele ano, cerca de 83 milhões de pessoas com 10 anos ou mais haviam acessado a internet nos três meses anteriores à pesquisa, também segundo o IBGE.

No próprio Lollapalooza, a tecnologia já fazia parte da experiência, mas o festival ainda era muito mais sobre ver o show, encontrar os amigos e voltar para casa com uma lembrança na cabeça do que acompanhar cada minuto pelas redes sociais.

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E o celular podia até virar um problema.

Em 2013, um ano depois da estreia, a polícia identificou grupos que entravam no festival para furtar smartphones. Segundo a investigação divulgada na época, pelo menos 80 celulares foram furtados durante aquela edição.

O preço também conta essa história

Outro detalhe que ajuda a viajar para 2012 é o preço do próprio festival.

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Na primeira edição brasileira, o ingresso para um dia custava R$ 300 na modalidade inteira, enquanto a meia-entrada saía por R$ 150. O passaporte para os dois dias custava R$ 500 na inteira e R$ 250 na meia.

Para comparar, no mesmo ano a tarifa do Metrô e da CPTM havia acabado de chegar a R$ 3. É um daqueles detalhes que fazem uma época parecer muito mais distante do que realmente está.

A São Paulo que recebia o Lolla

Em 2012, a cidade comemorava 458 anos e tinha uma programação cultural que incluía passeios turísticos pelo centro, apresentações musicais e atrações no Mercado Municipal. O Turismetrô, por exemplo, oferecia roteiros pela cidade usando o próprio metrô como meio de transporte.

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Era uma São Paulo que já tinha a correria conhecida de sempre, mas ainda carregava hábitos, preços e tecnologias que hoje parecem quase de outra geração.

E o Lollapalooza chegou justamente nesse cenário.

A primeira edição trouxe Foo Fighters, Arctic Monkeys, Jane’s Addiction, Racionais MC’s e outras dezenas de artistas para o Jockey Club.

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Pouco depois, o festival cresceu, mudou de endereço e transformou Interlagos em seu grande ponto de encontro.

O mais curioso é que, quando o Lolla chegou ao Brasil, talvez ninguém imaginasse que olhar para aquela edição mais de uma década depois seria também uma maneira de enxergar como a própria São Paulo mudou.