Sua mãe envelheceu e não tem dinheiro para pagar uma instituição? No Japão, dois benefícios mostram como o país tenta evitar que toda a conta fique com os filhos

Família aprende sobre limites de pagamento e certificações que reduzem gastos com cuidados de longa duração

Foto limpa e centralizada de uma senhora de 92 anos em quarto simples de casa de repouso no Japão

Ilustração. Idosa japonesa em instituição de cuidados de longa duração

No Japão uma mulher de 92 anos sem qualquer reserva financeira precisa entrar em uma instituição de cuidados e o casal formado por sua filha e genro se vê diante da possibilidade de arcar com todas as despesas mensais. A cena se repete em muitos lares japoneses onde o envelhecimento rápido da população coloca famílias inteiras diante de contas que podem ultrapassar o equivalente a vários salários mínimos.

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A boa notícia é que o sistema de seguro de cuidados de longa duração oferece mecanismos para reduzir ou até zerar a parcela paga diretamente do bolso quando a idosa atende a critérios de baixa renda e baixo patrimônio.

Como funcionam os dois principais apoios

O primeiro mecanismo é o chamado serviço de cuidados de alto custo que reembolsa o que exceder um teto mensal definido conforme a situação tributária da família. Para domicílios isentos de imposto municipal o limite costuma ficar em torno de 24.600 ienes por mês para o conjunto familiar. Quando a renda da própria idosa é ainda menor o teto individual pode cair para 15.000 ienes.

Esse reembolso cobre apenas os serviços de cuidado propriamente ditos e não inclui alimentação nem hospedagem. O segundo instrumento é a certificação de limite de ônus do seguro de cuidados. Com ela o valor cobrado por refeições e por quarto em instituições como asilos especiais ou casas de saúde é limitado de acordo com a faixa de renda da residente.

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Uma idosa de 92 anos sem poupança e isenta de imposto municipal costuma se enquadrar na categoria mais baixa e paga no máximo alguns milhares de ienes por mês por esses itens. O benefício vale para instituições públicas ou sem fins lucrativos mas não se aplica automaticamente a residências particulares pagas integralmente pelo usuário.

Especialistas recomendam que o casal não desista antes de consultar o escritório municipal de seguro de cuidados. Muitos acreditam que a renda do filho ou da nora impede o acesso mas a análise considera principalmente a situação da própria idosa e do seu cônjuge falecido ou vivo.

Documentos como extratos bancários dos últimos anos e comprovante de isenção tributária costumam ser suficientes para iniciar o processo. O pedido pode ser feito pela própria família e a resposta costuma chegar em poucas semanas.

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Passos práticos para reduzir o impacto no orçamento familiar

Antes de escolher a instituição é importante verificar se ela aceita a certificação de limite de ônus. Asilos especiais públicos costumam ser a opção mais acessível e já estão preparados para receber residentes com esse benefício. Caso a lista de espera seja longa o casal pode solicitar uma avaliação de necessidade de cuidado em casa enquanto aguarda a vaga o que também ativa os tetos de reembolso.

Outra possibilidade é a combinação com o auxílio de assistência social caso os recursos do casal fiquem abaixo do mínimo necessário para a sobrevivência após o pagamento das mensalidades.

O escritório de bem-estar social do município avalia a situação global da família e pode complementar o que faltar para cobrir alimentação e moradia da idosa. Esse recurso é residual e só é concedido depois de esgotadas as vias do seguro de cuidados. Além disso o casal deve guardar todos os recibos de pagamento desde o primeiro mês.

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O reembolso do serviço de cuidados de alto custo é solicitado retroativamente e o dinheiro costuma cair na conta da idosa ou de quem efetuou o pagamento em até três meses. Manter planilhas simples com data valor e tipo de despesa facilita muito a prestação de contas. Por fim é recomendável participar de reuniões informativas oferecidas gratuitamente pelas prefeituras japonesas.

Nessas sessões assistentes sociais explicam com exemplos reais como preencher os formulários e quais documentos evitam indeferimentos por falta de prova de patrimônio. Muitos casais que inicialmente temiam gastar dezenas de milhares de ienes por mês conseguem reduzir a conta para menos de dez mil ienes após a aprovação dos dois benefícios.

A experiência de famílias que já passaram pelo mesmo caminho mostra que a chave está em não adiar a consulta ao município. Quanto antes o processo for iniciado mais rápido a idosa pode se mudar para a instituição sem que o orçamento doméstico sofra um colapso repentino.

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O sistema japonês foi desenhado exatamente para situações como a desta sogra de 92 anos e o casal que busca informação com antecedência costuma conseguir manter a qualidade de vida de todos os envolvidos.