Calor extremo e química: estudo revela os perigos de combinar descoloração e alisamento nos fios de cabelo

Pesquisa comprova que misturar tratamentos intensos altera a estrutura capilar e exige cuidados redobrados com os cabelos no dia a dia

Cabelos que sofreram alterações químicas podem sofrer ainda mais com o calor/ Freepik

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) comprovou que combinar processos químicos — como descoloração e alisamento — deixa os cabelos significativamente mais vulneráveis aos danos causados pelo calor.

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A investigação revelou que a fibra capilar submetida a múltiplos tratamentos perde elasticidade e massa com maior rapidez quando exposta a fontes térmicas.

A combinação de descolorantes e alisantes altera drasticamente a camada interna do fio, conhecida como córtex. Quando ferramentas como chapinha, babyliss ou até mesmo a radiação solar incidem sobre essa estrutura fragilizada, a evaporação da água interna ocorre de forma agressiva, acelerando a quebra e o surgimento de pontas duplas.

O impacto invisível da química dupla na saúde dos fios

Para chegar às conclusões, os especialistas analisaram amostras submetidas a diferentes temperaturas antes e depois das transformações químicas. O resultado indicou que os fios com química dupla sofrem degradação proteica rápida, perdendo queratina em níveis muito superiores aos de estruturas virgens.

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Essa perda de proteína faz com que a fibra perca sua capacidade natural de reter umidade. Como consequência, o ressecamento torna-se visível e persistente, deixando a textura áspera e sem brilho, mesmo após o uso de máscaras condicionantes convencionais.

Por que os cabelos descoloridos e alisados quebram mais com o calor?

A quebra frequente ocorre porque a descoloração rompe as pontes de dissulfeto para retirar o pigmento, enquanto o alisamento reestrutura essas mesmas ligações para mudar o formato do fio. Esse processo combinado fragiliza a matriz lipídica dos cabelos, eliminando a barreira protetora contra altas temperaturas.

Quando a temperatura do secador ou da prancha ultrapassa os 180°C, a água residual presa no interior do fio entra em ebulição repentina. Esse fenômeno gera microfissuras na cutícula, tornando o cabelo poroso, opaco e propenso ao efeito chicote (quando o fio estica e quebra ao menor impacto).

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Cuidados essenciais para conter os danos térmicos

Para mitigar esses impactos, profissionais recomendam pausar o uso de ferramentas de calor ou aplicar rigorosamente um protetor térmico com ação reconstrutora antes de qualquer exposição. Fórmulas com aminoácidos e óleos vegetais ajudam a selar as cutículas e criar uma película protetora temporária.

Além disso, intercalar tratamentos de nutrição e reconstrução na rotina ajuda a repor a massa perdida, garantindo que os cabelos quimicamente tratados mantenham a resistência e a vitalidade diante das agressões diárias.