Lendas e mistérios: comunidade no interior de MG nasceu de um amor proibido e hoje recebe turistas em vilarejo rural e romântico

Comunidade vive do trabalho coletivo, agricultura familiar e participação dos moradores nas atividades do vilarejo

Noiva do Cordeiro (Foto_ Reprodução Instagram_@noivadocordeiro)

Visita permite conhecer as hortas, o ateliê de costura, a gastronomia mineira e as manifestações culturais da comunidade (Foto_ Reprodução Instagram_@noivadocordeiro)

No interior de Minas Gerais, uma comunidade rural chama atenção pela forma como convive e divide as tarefas entre os moradores. A Noiva do Cordeiro fica em Belo Vale, a cerca de 100 km de Belo Horizonte, e sua economia é baseada na vida comunitária.

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Apesar da fama de ser um lugar habitado apenas por mulheres (um mito espalhado pela imprensa internacional), a realidade é diferente.

Homens e mulheres vivem na comunidade, que recebe visitantes interessados em conhecer o trabalho coletivo, a gastronomia mineira e o dia a dia no campo.

Veja também: o que fazer em Belo Vale (MG)

História transformadora

A história da Noiva do Cordeiro começou em 1890, quando Maria Senhorinha de Lima deixou um casamento arranjado e passou a viver com Chico Fernandes. O casal foi excomungado pela Igreja Católica e acabou isolado socialmente, passando a construir a própria vida na zona rural de Belo Vale.

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Anos depois, na década de 1950, o pregador Anísio Pereira chegou ao local, casou-se com Delina Fernandes, neta de Maria Senhorinha, e fundou a igreja Noiva do Cordeiro.

Durante seu comando, a comunidade seguiu regras religiosas rígidas, como não consumir bebida alcóolica, não usar contraceptivos e ter as mulheres totalmente submissas.

Após a morte do pastor, em 1995, os moradores decidiram abandonar as antigas restrições. Delina assumiu um papel importante nessa transformação e passou a comandar uma rotina baseada na cooperação e na autonomia das mulheres.

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Como funciona a vida comunitária

Atualmente, a comunidade reúne cerca de 300 a 350 moradores. Muitos homens trabalham fora durante a semana e retornam para casa nos fins de semana, enquanto boa parte das mulheres participa diretamente da organização das atividades locais.

A economia envolve agricultura familiar, cultivo de hortaliças, milho e frutas, além de uma padaria, cozinha comunitária e ateliê de costura. As refeições também podem ser preparadas coletivamente e servidas no refeitório da comunidade.

O local ainda mantém o grupo artístico formado por moradores que realizam apresentações de teatro, música e dança.

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Como visitar a comunidade Noiva do Cordeiro

A visita tem como proposta apresentar o cotidiano rural e comunitário.

Durante o passeio, é possível conhecer as hortas, o ateliê de costura e experimentar pratos da culinária mineira preparados no fogão a lenha.

As atividades culturais também podem integrar a experiência dos visitantes e são divulgadas com antecedência no Instagram oficial do grupo (@centroculturalnoivadocordeiro).

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O que saber antes de ir

Não há hotéis ou estruturas de hospedagem dentro da comunidade. Por isso, quem pretende conhecer o local precisa ficar em Belo Vale ou em municípios próximos (como Moeda, Bonfim ou Piedade dos Gerais) e reservar o passeio para o período do dia.

A visita é gratuita, mas é importante não chegar sem avisar. O passeio precisa ser agendado previamente com a associação de moradores, já que a comunidade tem uma rotina própria de trabalho e organização.

Também vale reservar tempo para conhecer o lugar sem pressa. A proposta não é apenas passar pelas paisagens rurais, mas acompanhar atividades, conversar com os moradores e entender como funciona a comunidade e a sua história inspiradora.