Terceira pista da Imigrantes destravará caminhos entre Porto de Santos e o Brasil

Obra bilionária aumentará capacidade do Sistema Anchieta-Imigrantes em 25% no total e em 145% para descida de veículos pesados

Cetesb deve liberar a licença prévia para o projeto

Sistema Anchieta-Imigrantes ganhará uma nova pista | Daniel Villaça/Gazeta de S.Paulo

Há um consenso entre usuários, governo e concessionária: a ligação atual entre a Capital e a Baixada Santista é insuficiente para lidar com o fluxo de pessoas e de cargas do maior porto da América Latina, o Porto de Santos. Uma das soluções apresentadas é a construção da terceira pista da rodovia dos Imigrantes.

A novidade, que terá o túnel mais longo do Brasil, com seis quilômetros, permitirá o tráfego de caminhões no sentido litoral, atualmente restrito à Via Anchieta. A ideia é a de aumentar a capacidade do Sistema Anchieta-Imigrantes em 25% no total e em 145% para descida dos veículos pesados.

A movimentação de veículos no sistema aumentou mais de 50% nos últimos 25 anos e os caminhões somente têm a opção da Anchieta para fazer o trajeto para o Porto de Santos.

Da mesma forma, a movimentação de cargas no Porto vem aumentando ano a ano, com previsão de chegar a 241 milhões de toneladas em 2040, conforme a Autoridade Portuária de Santos.

De acordo com a Artesp, “a medida contribuirá para a redução de gargalos logísticos, melhoria do acesso ao Porto de Santos e aumento da segurança viária entre o Planalto Paulista e a Baixada Santista”.

Investimento de R$ 8 bilhões

Em uma cerimônia em janeiro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que projeto básico já está concluindo e agora segue em fase de licenciamento ambiental. O investimento estimado é de R$ 8 bilhões.

Numa cerimônia sobre o túnel entre Santos e Guarujá, em janeiro, Tarcísio destacou que a terceira pista será uma obra ainda maior.

“Falando do túnel, vamos falar da maior obra que vai vir aí, que não é o túnel. É a terceira pista da Imigrantes”, destacou o governador, destacando que o projeto-executivo da nova ligação será entregue até o segundo semestre.

O projeto prevê uma nova pista no trecho de serra com 21,5 quilômetros de extensão, compostos prioritariamente por túneis, que somam 17 quilômetros (80% de todo trajeto), além de 4 quilômetros de viadutos.  Um dos túneis terá cerca de 6 quilômetros de extensão, o que será a estrutura mais longa do tipo no Brasil.

A estrutura terá início no quilômetro 43 da rodovia dos Imigrantes (SP-160), o que permitirá o acesso pelo Rodoanel Mário Covas (SP-021). Na Baixada Santis, a conexão será no quilômetro 265 da rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP-055), próximo ao Polo Industrial de Cubatão. 

Além disso, permitirá acesso ágil às margens direita e esquerda do Porto de Santos. 

A fase de licenciamento ambiental está em andamento na Cetesb e corre em paralelo à elaboração do projeto executivo. O cronograma da obra depende diretamente da agilidade desses processos governamentais.

Ecovias, a responsável pelos projetos

O projeto é desenvolvido pela Ecovias Imigrantes, que foi a principal responsável pelos estudos, e pelo governo do Estado. A concessionária também está responsável pela elaboração do projeto funcional, do projeto básico e do projeto executivo. 

Para reduzir os impactos ambientais, a construção do projeto elaborado pela Ecovias prevê a utilização de estradas de serviço já existentes e poucos pontos de entrada de frentes de obras.

“Uma das premissas definidas para concepção do projeto é o mínimo de impacto ambiental possível. Por esse motivo, a nova ligação foi projetada com 80% de seu trajeto em túneis, sendo um deles o maior túnel rodoviário do País, com mais de 6 km. Ao longo de todas essas estruturas haverá túneis paralelos de emergência para atendimento e evacuação em situações críticas”, explicou a concessionária, em nota.

A escolha dos pontos de conexão no trecho de planalto e na Baixada Santista do traçado levou em consideração parâmetros adotados nos maiores projetos de infraestrutura do País. 

Outro destaque será a inclinação média, que será de 4%, possibilitando o tráfego seguro de veículos pesados. Considerando os diversos cenários de tráfego, a pista poderá também ser revertida para operar no sentido da Capital sempre que houver necessidade.

Uma equipe de especialistas da Ecovias, além de consultores e empresas construtoras, inclusive internacionais, foi responsável por avaliar as alternativas e escolher a que melhor se adequava a critérios rigorosos de engenharia, segurança viária e socioambiental.