A inflação da cesta do dia das mães ficou em 2,89% em 12 meses, abaixo dos 4,37% do IPCA, segundo a FecomercioSP. Ainda assim, mais de 80 milhões de consumidores dizem sentir os preços mais altos, sinal de que a percepção segue pressionada mesmo com a desaceleração.
Na comparação anual, o índice perdeu força. Em 2025, a alta havia girado perto de 4%, o que indica mudança de ritmo após um período de pressão mais intensa.
Por que o recuo na inflação não chega à vitrine
A desaceleração não é uniforme. Produtos mais ligados à data seguem em alta e sustentam a sensação de encarecimento. Joias acumulam avanço de 26,81% em 12 meses, após já terem subido mais de 30% no ciclo anterior, movimento associado ao preço do ouro no exterior.
Flores naturais avançaram 12% e itens de cuidado com o cabelo subiram 9,74%. Na leitura da FecomercioSP, a concentração da alta nesses presentes mais simbólicos ajuda a explicar por que o consumidor ainda sente o orçamento mais apertado.
O “efeito duráveis”: a queda técnica que mascara o custo do presente
Itens como ar-condicionado (-12,17%) e refrigeradores (-8,16%) registraram quedas expressivas nos últimos 12 meses, influenciados por estoques elevados e uma demanda mais contida em meio aos juros altos.
Como eletrodomésticos e eletrônicos têm alto valor unitário, as quedas nesses itens acabam puxando a média da inflação para baixo de forma mais intensa. O ponto é que eles têm pouca influência no Dia das Mães, quando a compra é guiada mais por presentes de apelo emocional.
O descompasso entre o ticket médio e o desejo de gastar
O ticket médio deve chegar a R$ 294 em 2026, alta em cerca de 18% frente a 2025, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
A movimentação total pode atingir R$ 37,91 bilhões, com 127 milhões de consumidores entre comércio e serviços.
Ao mesmo tempo, a intenção de presentear caiu para 65% da população, cerca de 82 milhões de pessoas. O índice havia sido de 71% em 2025 e 58% em 2024, indicando acomodação após o pico recente.
O movimento ocorre mesmo com a alta do ticket médio e indica maior seletividade do consumo em um ambiente de juros elevados e renda pressionada.
Seletividade e juros altos mudam o jeito de comprar do brasileiro
O cenário combina inflação mais baixa na cesta, mas com pressão concentrada em itens-chave. Dados do Banco Central indicam condições financeiras ainda restritivas, com impacto gradual sobre crédito e consumo.
O Dia das Mães mostra um consumidor mais seletivo. O gasto médio sobe, mas menos pessoas compram. Para as famílias, o ajuste aparece na escolha do presente e no valor desembolsado. Para o varejo, o resultado depende mais de estratégia e conversão do que apenas de fluxo nas lojas.





