Quem viveu os anos 1980 provavelmente se lembra das notas coloridas que traziam os rostos de Machado de Assis, Juscelino Kubitschek e outros brasileiros. Eram cédulas comuns usadas no dia a dia antes da chegada do Real.
Quatro décadas depois, parte desse dinheiro ainda sobrevive em gavetas, caixas de lembranças e antigos cofrinhos. Embora não tenha mais valor monetário, alguns exemplares preservados despertam interesse de colecionadores e podem render dinheiro.
Notas da infância
Quem cresceu durante os anos 1980 também pode reconhecer as antigas cédulas do Cruzado. As notas traziam personalidades brasileiras, como Rui Barbosa, Oswaldo Cruz, Juscelino Kubitschek e Heitor Villa-Lobos.

Algumas dessas cédulas foram impressas com pequenos erros ou variações extremamente raras que as tornam únicas para colecionadores. Porém, é preciso ficar atento ao estado de conservação das peças.
As cédulas são divididas nas seguintes categorias, de acordo com o Clube da Medalha do Brasil e pelo catálogo Cédulas do Brasil:
- Flor de Estampa (FE): nota praticamente perfeita, sem dobras, manchas ou sinais de circulação.
- Soberba (SOB ou S): pequenos sinais de manuseio; admite uma dobra leve.
- Muito Bem Conservada (MBC): apresenta dobras e sinais de circulação, mas permanece íntegra.
- Bem Conservada (BC): bastante circulada, com muitas dobras, papel amolecido e possíveis manchas.
- Regular (R): desgaste acentuado, rasgos, furos, manchas e cantos arredondados.
- Um Tanto Gasta (UTG): muito deteriorada, com grandes rasgos ou partes faltantes.
Para as moedas, é utilizada outra categorização, mas que possuí a mesma lógica:
- Flor de Cunho (FC): sem desgaste de circulação e com detalhes originais preservados.
- Soberba (SOB ou S): conserva aproximadamente 90% dos detalhes originais.
- Muito Bem Conservada (MBC): mantém cerca de 70% dos detalhes originais.
- Bem Conservada (BC): preserva aproximadamente 50% dos detalhes.
- Regular (R): mantém cerca de 25% dos detalhes, com desgaste intenso.
- Um Tanto Gasta (UTG): relevo quase apagado, com identificação comprometida.
Notas de até R$ 25 mil
Algumas cédulas podem alcançar valores surpreendentes entre colecionadores. Um exemplo é a nota de mil cruzeiros de 1983, com o Barão do Rio Branco, que possui uma variante avaliada em até R$ 25 mil no catálogo CIS 2026.
Identificada pelo código C162b, a raridade apresenta estampa A e pertence às séries 1894 e 1896. A avaliação chega a R$ 11 mil em estado soberbo e R$ 25 mil em Flor de Estampa.

Outras cédulas valiosas
Outro exemplo é a nota de 100 cruzados de 1986, com Juscelino Kubitschek. Uma variante originada de apenas 60 cédulas de 100 mil cruzeiros que ficaram sem o carimbo de conversão pode alcançar R$ 20 mil em Flor de Estampa.
A peça pertence à série 6015 e recebeu o código C179b. O catálogo CIS 2026 atribui a ela R$ 4.500 em estado soberbo. A identificação exige atenção, pois exemplares comuns com a mesma personalidade possuem avaliações muito inferiores.

Já a nota de 50 cruzados novos de 1989, com Carlos Drummond de Andrade, apresenta uma variante identificada pelo código C204b. O exemplar pertence à série 1665 e pode alcançar R$ 12 mil, conforme os valores de referência do catálogo.
A avaliação é de R$ 3.500 em estado soberbo e R$ 12 mil em Flor de Estampa. A cédula apresenta o poeta diante de uma paisagem de Itabira, em Minas Gerais, enquanto o verso reproduz versos de Canção Amiga.

Os valores são referências numismáticas, não garantias de venda. A numeração, a variante e a conservação determinam a avaliação, e uma nota comum da mesma época pode valer apenas alguns reais.
Moeda de R$ 500
Uma das peças “comuns” que mais chama atenção nasceu em dezembro de 1989, durante o governo José Sarney. Nessa época, o Banco Central (BC) lançou uma moeda comemorativa do centenário da Proclamação da República.
Produzida em prata, a moeda de 200 cruzados novos possui 31 milímetros de diâmetro, pesa 13,47 gramas e apresenta acabamento especial, conhecido como proof, com fundo espelhado e elementos em relevo fosqueado.

Atualmente, a Numismática Vieira anuncia um exemplar por R$ 500. Já a Numismática Juno apresenta uma unidade com pátina por R$ 459. Porém, o preço entre colecionadores pode aumentar e diminuir de acordo com o estado de conservação da peça.
Como identificar raridades?
Se você tem uma peça que foi mencionada acima ou que possa ser rara, primeiramente você deve verificar a sua procedência. O principal método é por meio do sistema de chancelas do Banco Central.
Ele permite consultar essas informações e verificar diferentes emissões. A consulta é feita com dados tirados diretamente da peça, como: ano de emissão, numeração e tiragem. Além disso, também é importante avaliar o estado de conservação do objeto em questão.






