Gigante da petroquímica busca recuperação extrajudicial para renegociar passivo financeiro de US$ 10,9 bilhões

Estratégia pré-acordada busca carência e novos prazos com investidores internacionais, livrando carteira de clientes e operações operacionais

Com presença global e fábricas no Brasil e no exterior, a Braskem aprovou formalização para reestruturar passivos financeiros de 10,9 bilhões de dólares (Foto: Divulgação, Braskem)

Com presença global e fábricas no Brasil e no exterior, a Braskem aprovou formalização para reestruturar passivos financeiros de 10,9 bilhões de dólares / Divulgação/Braskem

A diretoria da Braskem deu sinal verde para a formalização do pedido de recuperação extrajudicial que reorganizará um montante equivalente a R$ 56 bilhões (US$ 10,9 bilhões) em passivos. A deliberação do Conselho de Administração, divulgada nesta segunda-feira (24), confirma o movimento de proteção legal desenhado pela petroquímica para remanejar dívidas sem interromper suas atividades fabris.

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Em nota, a gigante petroquímica informou que a via extrajudicial escolhida limita às dívidas financeiras majoritariamente captadas junto a investidores do mercado internacional por meio de títulos de dívida. O que significa que a empresa blinda seus compromissos do dia a dia e mantém o pagamento regular a fornecedores de insumos, prestadores de serviços e clientes finais.

“A Braskem esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos”, informou a empresa, em nota.

Histórico e desafios da gigante do setor

Com presença global e fábricas no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e México, a Braskem foi constituída em 2002 mediante a fusão de ativos do Grupo Mariani e da Novonor (ex-Odebrecht). Uma das maiores produtoras de resinas plásticas das Américas, a petroquímica conta com a Petrobras em sua base acionária e teve a entrada recente da IG4 Capital no capital social.

O plano de socorro vem em resposta a um longo período de retração nos preços praticados pela indústria petroquímica mundial. Junto disso, somaram-se os pesados desembolsos para indenizações e reparações decorrentes da extração de sal-gema em Maceió (AL), problema ambiental que provocou o afundamento do solo em diversos bairros da capital alagoana e consumiu volume expressivo do caixa da companhia.

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Dentre os maiores credores estão os detentores de títulos, como BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

Subsidiária mexicana adota lei de falências dos EUA

O corpo de proteção da petroquímica também envolveu suas operações na América do Norte. A Braskem Idesa, subsidiária mexicana do grupo, deu entrada no Chapter 11 perante a Justiça dos Estados Unidos, assegurando o direito de continuar operando sob supervisão judicial durante o processo de negociação com credores.

Para assegurar o comando acionário sobre a subsidiária no México, o conselho da matriz aprovou o aporte de US$ 476 milhões como parte da engenharia de recuperação.