O iFood solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que investigue a atuação da Keeta e da 99Food no Brasil. A empresa alega que as plataformas têm muito dinheiro à disposição, o que possibilita a oferta de descontos e até mesmo operar no prejuízo para conquistar espaço no mercado. O pedido foi protocolado na última segunda-feira (29/6).
O documento pontua que a DiDi, administradora da 99Food, e a Meituan, responsável pela Keeta, utilizaram políticas do governo chinês voltadas à expansão internacional de empresas do setor da tecnologia para conseguir um “capital facilitado”.
Entenda a petição do iFood
A petição visa verificar indícios de supostas práticas desleais de concorrência. O iFood cita um estudo promovido pelo próprio Cade sobre casos no exterior em que empresas usaram valores baixos e subsídios para alcançar o público consumidor. Ainda de acordo com a companhia, iniciativas como a Nova Rota da Seda ajudam a financiar a operação internacional dessas companhias.
Para reforçar a alegação, o iFood mencionou um relatório do banco australiano Macquarie confirmando investimentos da DiDi no Brasil como o principal motivo de um prejuízo de US$ 470 milhões no último trimestre de 2025. Além disso, o informe cita um déficit nos cofres da Meituan de US$ 3,4 bilhões em 2025.
Desta forma, o iFood pede que os números atuem como evidência de uma estratégia deliberada para aceitar rombos financeiros no curto prazo para ganhar clientes e aumentar a participação da Keeta e da 99Food no mercado.
Procurada pela equipe de reportagem, a Keeta contestou as acusações. A companhia afirmou que atua para construir um mercado justo no Brasil e que práticas regulatórias deveriam ampliar a concorrência e inovação do setor.
A Gazeta também tenta contato com as assessorias do iFood e 99Food. O espaço segue aberto para manifestação. O texto será atualizado em caso de resposta.
Confira a nota completa da Keeta
“A Keeta trabalha para construir um mercado aberto, justo, competitivo e saudável para todos no ecossistema de delivery de comida no Brasil. Como uma marca que chegou recentemente ao país, em um setor fechado por cláusulas de exclusividade e banimento, usamos cupons para incentivar a experimentação inicial, mas nosso foco está em garantir que os consumidores permaneçam pela qualidade, previsibilidade e experiência na plataforma.
Enquanto isso, a indústria de delivery de comida brasileira vem sendo prejudicada há anos por cláusulas de exclusividade que impedem o crescimento do setor. Mais uma vez, o player dominante, que já possui denúncias de descumprimento do seu acordo com o Cade, tenta manter sua posição monopolista e desviar a atenção do real problema: o mercado de delivery de comida no Brasil é anticompetitivo e disfuncional.
Como resultado, os restaurantes são impedidos de escolher livremente sua plataforma parceira para diversificar seus canais de venda, entregadores têm menos alternativas para geração de renda e consumidores pagam mais caro por um serviço de baixa qualidade. O setor necessita urgentemente de decisões que promovam um mercado aberto em benefício de todo o ecossistema, viabilizando o crescimento sustentável e a inovação. A Keeta confia que as autoridades irão agir para garantir essas condições, criando mais oportunidades de renda para restaurantes e entregadores parceiros, preservando a liberdade de escolha dos consumidores e acelerando a inovação.”
