IR 2026: Receita libera programa e muda compensação de prejuízos

Saiba como declarar ativos e as alíquotas para o novo ano-base; programa foi liberado nesta segunda-feira (16/3)

Antes de enviar a declaração, é importante entender quem está obrigado a prestar contas à Receita Federal

Programa já está disponível para preenchimento das informações, mas não para envio da declaração | Joédson Alves/Agência Brasil

A declaração do Imposto de Renda 2026 traz mudanças significativas para quem opera no mercado financeiro nacional. O programa oficial foi liberado nesta segunda-feira (16/03) para que os cidadãos já possam baixar e organizar os dados em seus computadores.

Apesar de o programa já estar disponível para preenchimento, o sistema para o envio definitivo das informações só será aberto na segunda-feira da próxima semana (23/3), seguindo até 29 de maio. A regra de entrega vale para quem vendeu mais de R$ 40 mil em bolsa.

Compensação de perdas

A novidade para 2026 é a forma como as perdas acumuladas podem ser abatidas de lucros futuros. Prejuízos registrados até 31/12/2025 seguem a regra antiga: compensam apenas ganhos em bolsa e valem até 2030, sem prescrição imediata.

Já as perdas geradas a partir de janeiro de 2026 ganham flexibilidade, permitindo o abatimento em lucros de renda fixa e criptoativos. Contudo, esses novos prejuízos prescrevem em cinco anos, caso não sejam utilizados pelo investidor.

É fundamental verificar o calendário completo e a liberação do programa para garantir que os dados bancários sejam importados corretamente e sem erros dentro do prazo estipulado.

Normas do IR 2026

As novas normas definem uma faixa de isenção ampliada, mas que exige cálculos precisos de quem investe. A partir deste ano, a alíquota unificada de 17,5% passa a valer para operações comuns, sendo cobrada diretamente na fonte em vendas acima de R$60 mil por trimestre.

Vale destacar que o day trade permanece com a alíquota de 20% e não entra na nova regra de unificação. O contribuinte deve separar as modalidades na ficha de “Renda Variável” para não gerar cálculos incorretos de imposto devido.

Para evitar problemas, o investidor deve conferir o passo a passo para declarar ativos isentos de forma correta. Itens como LCI e LCA não pagam imposto, mas sua omissão gera inconsistência patrimonial.

Evite a malha fina

Muitos investidores esquecem de lançar o saldo negativo de meses anteriores, perdendo o direito ao abatimento legal. É essencial guardar as notas de corretagem, pois são a única prova documental em caso de auditoria detalhada pela Receita.

O fisco utiliza inteligência artificial para monitorar movimentações em renda variável em tempo real. Qualquer divergência entre o lucro reportado e o imposto pago via DARF pode travar a restituição do contribuinte logo nos primeiros lotes.

A consolidação das novas normas reflete o esforço da Receita Federal em integrar os dados de diferentes tipos de ativos. O acompanhamento rigoroso dos informes de rendimentos é o que garante a conformidade do patrimônio diante das atualizações tributárias de 2026.