O Banco Central fez um alerta que explica por que até mesmo quem paga todas as contas em dia tem o cartão de crédito ou financiamento negado. Segundo o órgão, ser um bom pagador e ter o “nome limpo” não garante a liberação de crédito fácil nos bancos de São Paulo.
A explicação mostra como as instituições financeiras mudaram a forma de avaliar o risco dos clientes e o que realmente pesa na hora de aprovar um limite de crédito.
O paradoxo da ‘folha em branco’ no mercado de crédito
Folha em branco: por que não ter nenhuma dívida pode travar o seu crédito
Para as ferramentas de análise de risco das instituições financeiras, quem nunca utilizou produtos de crédito, como empréstimos, financiamentos ou compras parceladas, apresenta o que o mercado chama de “folha em branco”. Sem dados históricos sobre como esse cliente lida com obrigações de longo prazo e parcelas com juros, as instituições encontram dificuldades para calcular o risco da operação.
O Banco Central resume essa lógica ao explicar que o sistema de crédito não mede apenas a honestidade do cidadão, mas sim a capacidade do mercado de prever como ele vai agir diante de um compromisso financeiro. Assim, a falta de dados não significa que o cliente represente um perigo de calote, mas sim que não há informações suficientes para traçar um padrão de comportamento para os algoritmos dos bancos.
Como movimentar o CPF e criar um histórico bom sem fazer dívidas
A autoridade monetária esclarece, no entanto, que ninguém precisa contrair dívidas ou pagar juros desnecessários apenas para criar um histórico de crédito. O perfil financeiro do consumidor pode ser demonstrado no dia a dia por meio de outras movimentações cotidianas mais simples.
Para construir essa reputação de forma natural, o consumidor pode focar em manter uma movimentação frequente em sua conta bancária corrente, utilizando-a para receber salários ou receitas.
Além disso, concentrar os pagamentos de rotina na mesma conta, registrar contas de consumo como água, luz e internet no próprio CPF, mantê-las rigorosamente em dia e garantir a adesão ao Cadastro Positivo são passos fundamentais para mostrar organização financeira aos olhos do mercado.
Atalho digital: use o Open Finance para compartilhar dados e conseguir juros menores
Para acelerar essa análise e dar mais poder de negociação ao cidadão, o Banco Central recomenda o uso do Open Finance. Esse sistema de compartilhamento de dados financeiros permite que o próprio consumidor autorize, de forma totalmente segura, controlada e temporária, o envio de seu histórico de relacionamento de um banco para o outro.
Dessa forma, quem tem pouca experiência com empréstimos na instituição onde busca crédito pode apresentar provas de sua excelente organização financeira mantida em outros bancos, cooperativas ou fintechs. Isso ajuda as instituições financeiras parceiras acalibrarem suas análises de risco de forma personalizada, oferecendotaxas de juros mais justas e linhas de crédito compatíveis com a real capacidade de pagamento do cliente.
