Alta no Diesel pode chegar a até 50% após a reeleição de Lula, declara banco de investimentos globais

Preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras pode subir cerca de 50% após o segundo turno das eleições

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Segundo relatório do banco, o diesel vendido pela Petrobras, considerando as subvenções do governo federal, equivale a cerca de R$ 5,43 por litro/Thiago Neme/Gazeta de S. Paulo

O preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras pode subir cerca de 50% após o segundo turno das eleições, caso termine a diferença entre os subsídios concedidos a produtores nacionais e importadores. A estimativa é do Goldman Sachs, que aponta uma defasagem de 21% entre o valor praticado pela estatal e a paridade internacional de importação.

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Segundo relatório do banco divulgado pelo Valor Econômico, o diesel vendido pela Petrobras, considerando as subvenções do governo federal, equivale a cerca de R$ 5,43 por litro, enquanto a paridade de importação está próxima de R$ 6,89. Para alinhar os preços ao mercado internacional, a estatal precisaria elevar o valor cobrado das distribuidoras em aproximadamente R$ 1,50 por litro.

A diferença de preços está relacionada à política de subsídios adotada pelo governo federal para conter os efeitos da alta do petróleo sobre o mercado interno. Atualmente, produtores nacionais recebem R$ 2,12 por litro, enquanto importadores têm direito a R$ 3,52 por litro. Essa diferença permite que o diesel importado seja vendido a preços competitivos, limitando a margem da Petrobras para reajustar seus preços sem perder participação de mercado.

Goldman não prevê reajuste imediato

Apesar do risco de aumento, o Goldman Sachs não considera o reajuste em seu cenário-base. Diante da incerteza sobre a renovação dos subsídios aos importadores, o banco trabalha com a hipótese de que a Petrobras mantenha os preços estáveis até o fim do ano. Os analistas, porém, avaliam que um eventual aumento poderia elevar as margens de refino da companhia no quarto trimestre.

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Para a Petrobras, o reajuste seria positivo, mas os efeitos sobre outras empresas do setor seriam diferentes. Segundo o relatório, distribuidoras como Vibra e Ultrapar poderiam ser prejudicadas, já que compram parte relevante do diesel de refinarias nacionais. O banco mantém recomendação neutra para as duas companhias.

Reajuste pode pressionar a inflação

O aumento também poderia ter efeitos sobre a inflação. De acordo com as estimativas do Goldman Sachs, uma alta de 50% no preço cobrado pela Petrobras às distribuidoras provocaria um aumento de aproximadamente 20% no valor do diesel nas bombas.

Nesse cenário, o impacto direto sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seria de 5 a 6 pontos-base. Já os efeitos indiretos, associados ao encarecimento do transporte de cargas e dos custos logísticos, poderiam acrescentar de 16 a 18 pontos-base. Com isso, o impacto total estimado ficaria entre 21 e 24 pontos-base, equivalente a 0,21 a 0,24 ponto percentual.

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O banco também considera um cenário mais extremo, no qual todos os subsídios ao diesel seriam encerrados nos próximos meses. Nessa hipótese, os preços nas bombas poderiam subir cerca de R$ 1,80 por litro, levando o combustível de aproximadamente R$ 7,34 para uma faixa entre R$ 9 e R$ 10 por litro.

Por enquanto, o Goldman Sachs considera mais provável a manutenção dos preços da Petrobras até o fim do ano, enquanto o mercado aguarda definições sobre os subsídios e os desdobramentos políticos após as eleições.

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