Trabalho doméstico no Brasil: setor perde 328 mil vagas em 1 ano; entenda a ‘migração’ para o comércio

Com 102,7 milhões de ocupados, mercado de trabalho apresenta mudanças na distribuição de profissionais entre as áreas

O descanso só está previsto em regimes de trabalho CLT. Imagem: Agência Brasil

País registrou o total de 102,7 milhões de pessoas ocupadas em maio; analistas apontam mudanças no perfil das vagas e queda no trabalho doméstico / Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

O desemprego no Brasil recuou para 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026. O índice é o menor patamar registrado para esse período desde 2012, segundo os dados oficiais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Atualmente, o mercado nacional conta com um contingente de 102,7 milhões de pessoas ocupadas. Apesar do ritmo acelerado de absorção da mão de obra, os técnicos do instituto apontam que a leitura otimista do governo convive com ressalvas sobre a qualidade da inserção de parte dos trabalhadores.

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Essa escassez de mão de obra disponível muda a dinâmica entre empresas e funcionários. Diante desse cenário, surgem também os desafios de encontrar talentos em cenário de desemprego baixo, o que exige novas estratégias de atração por parte do setor corporativo.

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Visão oficial

Para o governo federal, os indicadores consolidam uma trajetória de fortalecimento e estabilidade macroeconômica. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em nota oficial que os resultados refletem um ambiente favorável para o País.

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“Os dados mostram que o Brasil segue criando empregos, reduzindo o desemprego e elevando a renda da população. Esse desempenho é resultado de uma política econômica baseada em estabilidade, previsibilidade e equilíbrio, que fortalece a confiança, estimula investimentos e cria condições para que a economia continue gerando oportunidades para os brasileiros”, declarou o ministro.

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Trabalho doméstico

A melhora nos índices gerais causou um impacto direto no setor de trabalho doméstico, que perdeu 328 mil postos de trabalho no intervalo de um ano. Segundo William Kratochwill, analista de pesquisa do IBGE, o fenômeno atual é o oposto do que acontece em períodos de recessão econômica.

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“Com a economia mais aquecida, os profissionais encontram vagas que oferecem rendimentos mais atrativos e condições de trabalho superiores”, explicou o pesquisador do instituto. Essa migração ocorre no mesmo período em que o Brasil bate recorde de empregos e tem menor taxa de desemprego desde o início da série histórica de contratações.

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Vagas temporárias

A expectativa para o segundo semestre é de maior movimentação no comércio e no setor de serviços, que tradicionalmente iniciam as contratações para atender às demandas das festas de fim de ano. Historicamente, esse período concentra o maior volume de vagas temporárias do mercado.

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Esse movimento deve reduzir ainda mais a taxa de subutilização da força de trabalho, que reúne pessoas que poderiam trabalhar mais, mas não conseguem espaço. O indicador atingiu o nível mais baixo desde 2012, fixando-se em 13,3% no trimestre encerrado em maio.

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Os dados técnicos do IBGE mostram que o ritmo atual de absorção da mão de obra disponível pelas empresas segue constante. Com os setores produtivos mais aquecidos antes mesmo do período de pico, a transição para as vagas de fim de ano deve encontrar uma população desocupada ainda menor.

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Mesmo com a movimentação dos trabalhadores para setores com melhor remuneração e o recuo na subutilização, a taxa de informalidade no País ficou parada em 37,3% da população ocupada.

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O número mostra que, apesar do reaquecimento e das projeções positivas para os próximos meses, uma parte expressiva das novas vagas no mercado nacional ainda é gerada sem o registro formal em carteira assinada.