Um dos nomes mais emblemáticos da música popular brasileira acaba de ganhar uma homenagem à altura de sua trajetória. “Fafá de Belém, o Musical” celebra os 50 anos de carreira da cantora paraense em um espetáculo que une teatro musical, política, ecologia e memória afetiva, colocando no centro do palco a força artística e cidadã de Fafá de Belém.
Apresentado pelo Ministério da Cultura e Laranjinha Itaú, com patrocínio da Transpetro e realização do Governo Federal e da Charge Produções, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o musical está em cartaz no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, desde o dia 15 de janeiro e, em breve, seguirá para uma temporada em São Paulo.
Detalhes da montagem
“Fafá de Belém, o Musical” propõe mais do que uma retrospectiva artística. O espetáculo constrói um retrato sensível e potente de uma mulher que fez de sua voz instrumento de identidade cultural, engajamento político e pertencimento amazônico.
A narrativa se desenvolve a partir da linguagem do teatro musical e se estrutura em três planos que se entrelaçam ao longo da encenação. O primeiro se passa no presente, durante a gravação de um documentário em homenagem às cinco décadas de carreira da artista, ambientado no histórico Teatro da Paz, em Belém.
O segundo mergulha nas memórias da infância, retratando uma Belém lírica, atravessada por mitos e lendas amazônicas. Já o terceiro acompanha a construção da carreira da cantora, da capital paraense para o Brasil e o mundo.
Atrizes consagradas
A trajetória de Fafá é vivida em cena por três intérpretes, que representam as diferentes fases da artista. A infância é retratada por Laura Saab, neta da homenageada, e Clarah Passos; a fase de consagração como cantora fica a cargo de Helga Nemetik; e a Fafá de Belém dos dias atuais é interpretada por Lucinha Lins, mãe do também ator Claudio Lins, que viverá o rei Charles III no espetáculo “Diana – A Princesa do Povo”.
Primeiro ato: família, cultura e religião
O espetáculo abre as cortinas com um número musical dedicado à Amazônia, estabelecendo o tom poético e ancestral da narrativa. As lembranças da infância de Fafá se misturam às lendas da floresta, como a Cobra Grande, o Boto e o Tamba Tajá, para contar a saga da menina cabocla que saiu de Belém para conquistar o País.
A atmosfera regional é reforçada pelo coro “Carimbó-Siriá”, coletivo de atores-músicos que acompanha as diversas fases da cantora.
Neste momento do espetáculo, o público é apresentado à formação familiar, cultural e religiosa de Fafá, elementos que moldaram sua identidade artística.
Entre os destaques do ato estão a relação amorosa com o músico Raul Mascarenhas, narrada em paralelo com a lenda do boto, e o Círio de Nazaré, que culmina no encontro simbólico da artista com o Papa.
Canções como “Amazônia”, “Pauapixuna”, “Bom dia Belém”, “Foi Assim”, “Eu Preciso Aprender a Ser Só”, “Sedução”, “Filho da Bahia”, “Cavalgada”, “Que Me Venha Esse Homem”, “Eu Sou de Lá” e “Ave Maria” compõem a trilha do primeiro ato.
Segundo ato: uma Fafá consagrada
O segundo ato marca uma virada estética e simbólica. O universo regional amazônico cede espaço à paisagem urbana. Surge uma Fafá consagrada, politizada e dona do próprio discurso. A abertura do segundo ato faz referência ao movimento das Diretas Já, ressaltando o engajamento da cantora em momentos decisivos da história brasileira.
Outro destaque é a homenagem à artista prestada por um grupo de drags, que interpreta no palco sucessos como “Abandonada”, “Meu Homem”, “Memórias” e “Sob Medida”, celebrando o apoio de Fafá à comunidade LGBTQIA+.
A narrativa também aborda a forte ligação da paraense com Portugal, em uma cena ambientada no Cassino Estoril ao som de “Nem às Paredes Confesso”.
Tecno-brega paraense
Ainda no segundo ato, o DJ Zé Pedro entra em cena para colaborar na criação do álbum “Do Tamanho Certo para o Meu Sorriso”, inspirado no tecno-brega paraense, reconectando a cantora às raízes de sua terra.
A narrativa inclui ainda o sucesso do remix de “Emoriô” e canções como “Coração do Agreste”, “Bilhete e Nuvens de Lágrimas”. O encerramento é apoteótico, com o “Boi de Parintins” e a emblemática “Vermelho”, coroando a celebração.
Mais do que um musical biográfico, “Fafá de Belém, o Musical” é um espetáculo sobre pertencimento, identidade e resistência cultural, transformando cinco décadas de carreira em uma narrativa que ecoa a força da Amazônia, da música brasileira e da própria artista que lhe dá nome.
Enquanto o espetáculo não chega a São Paulo, que tal conhecer a trajetória de outro grande nome da música brasileira? “Ney Matogrosso – Homem com H” reestreia no Teatro Porto, em São Paulo, no dia 30 de janeiro.
Serviço – ‘Fafá de Belém, o Musical’
Quando? Até 8 de março; quintas-feiras e sextas-feiras, às 20h; sábados e domingos, às 17h
Onde? Teatro Riachuelo – Rua do Passeio 38/40 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Quanto? Plateia VIP – R$ 200; Plateia – R$ 180; Balcão Nobre – R$ 100; Balcão – R$ 40
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 2h40 (com intervalo de 15 minutos)






