Uma pesquisa do Instituto Badra, divulgada nesta sexta-feira (6/2) pela Gazeta, revelou a impressão dos moradores da cidade de São Paulo com o Carnaval. Os números demonstram uma relação contraditória: enquanto a maioria entende a importância cultural da maior festa popular do País, apenas 10% dizem “gostar muito” das atividades carnavalescas.
A Badra ouviu 1.060 moradores da Capital, das regiões norte, sul, leste e centro-oeste, de forma presencial, entre os dias 20 e 22 de janeiro. A margem do erro do levantamento é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Minoria diz gostar da festa
Apesar do crescimento do Carnaval paulistano, só 10,4% dos respondentes disseram que “gostam muito” de brincar o Carnaval, enquanto 25,5% afirmaram que “gostam”. A união das duas respostas, porém, indica uma predisposição positiva relevante, de quase 36%.
Já 30,6% indicaram que “não gostam muito”, enquanto 14% disseram que “não gostam e evitam”. Ambos juntos dão 44,6% que não apreciam estar nos festejos.
Na questão “quando pensa em curtir o Carnaval, qual opção mais combina com você?”, as respostas foram:
- Não curto o Carnaval de nenhuma forma; 29,3%;
- participar de reuniões e festas menores com amigos: 29,2%;
- pular nos blocos de rua menores ou festas populares: 15%;
- pular nos grandes blocos: 8,7%;
- assistir aos desfiles das escolas de samba no Anhembi: 6,3%;
- participar dos desfiles das escolas de samba: 5,5%;
- ir a bailes de Carnaval ou festas em clubes ou eventos fechados: 5,1%;
- outros: 0,8%;
- não sei dizer: 0,2%
Diversão e alegria
Por outro lado, na questão “dentre as opções, qual melhor representa o Carnaval de hoje em dia”, a maior parte das impressões foi positiva à festa. Entre as respostas que apareceram no topo estão “diversão e alegria” (26,6%), “liberdade e expressão cultural” (11,9%) e “tradição e identidade brasileira” (11%).
A resposta negativa mais bem posicionada foi “sexo, drogas e música alta”, com 11,3%.
“É curioso o paradoxo do Carnaval de São Paulo: mesmo sendo reconhecido pelos paulistanos como uma festa grande e animada, não é considerado um programa imperdível”, analisou Claudinéli Moreira Ramos, a consultora em formulação e análise de pesquisa da Badra.
Foliões fiéis
Entre as pessoas que afirmaram ter certeza de que pularão Carnaval em 2026, 82% vão curtir o evento na própria capital paulista: 43% apenas em alguns dias e 39% a festa toda. Já 11% planejam ir para outras cidades paulistas, enquanto apenas 4% pretendem aproveitar o Carnaval em outro Estado.
Para quem não pretende cair na folia, 34% planejam ficar em casa, 29% pretendem trabalhar ou estudar e 8% ainda não decidiram o que vão fazer. Parte desse total também vai aproveitar o feriado para atividades ligadas a fé: 11,4% planejam ir para retiros religiosos.
Blocos de rua
Para 43% dos respondentes, o crescimento do Carnaval de rua foi considerado bom ou ótimo. Já 26% se manifestaram indiferentes, enquanto 27% relataram preocupação ou consideram essa ampliação como algo ruim.
“Em outras palavras, ainda que divida opiniões, o crescimento dos blocos não gera rejeição majoritária”, analisou a consultora da pesquisa.
Medo da violência
Entre os aspectos negativos da festa, violência, brigas, furtos e roubos são o maior medo de 55% dos entrevistados. Para 45% deles, o Carnaval de São Paulo está mais perigoso e 48% destacaram os furtos e a violência como o que mais estraga a festa na cidade.
Por sua vez, 35% disseram que, apesar de interessante, o evento ainda precisa melhorar muito. O incremento ao turismo, a atratividade e boa organização do evento e sua capacidade de impactar a economia são destaques positivos relevantes.
“Para quem vive em São Paulo não dá para separar a dimensão da festa da lógica de bom funcionamento da cidade. Para o paulistano, um carnaval ideal é aquele que une boa organização nas ruas e espaço públicos, garantindo segurança, limpeza e serviços sociais e de saúde em alerta”, continuou a analista da pesquisa.
“Essa foi a resposta preferida de 41% dos entrevistados. A segunda resposta mais votada vai na mesma direção: 16% preferem que o carnaval não interfira na rotina da cidade. Ou seja, para o paulistano, até a folia precisa funcionar direito”, completou Claudinéli.








