O corredor Júlio Barreto, vítima de um ataque cardíaco no último domingo (26/7), participou da prova de 21 km da SP City Marathon como treino, conforme relatado por Renata Haquihara. A mulher era amiga de Barreto e acompanhava a corrida no local, antes do atleta passar mal. Ele morreu momentos depois de cruzar a linha de chegada.
Segundo Renata, o atleta praticava esportes há anos e já tinha participado até mesmo da Maratona de São Paulo. A distância percorrida era algo rotineiro para o corredor.
Em depoimento exclusivo à Gazeta, a amiga narrou os últimos momentos de Júlio Barreto, incluindo o atendimento prestado no local.
Pós-prova e o começo dos sintomas
“Ele, meu marido e mais três amigas fizeram a prova brincando e rindo, como sempre (…). Quando ele estava acabando a corrida, eu estava na grade e gritei: “Acelera aí”. O Júlio virou e sorriu”, descreveu a amiga.
Após a conclusão do trajeto, a esposa, ao lado de Renata e mais uma amiga, perguntou ao corredor sobre a experiência. De acordo com o relato, ele “disse que podia ter ido melhor”.
“Falamos para ele ir se trocar. Estávamos esperando meu marido, que já tinha terminado a prova. Quando eles estavam indo (se trocar), o Júlio disse que estava enjoado e que devia ser o cheiro do banheiro químico”, completou.
Em seguida, a esposa de Júlio Barreto disse que o levaria até a ambulância para ser examinado. Os dois saíram do local e se dirigiram sozinhos para a área de atendimento, mas o corredor colapsou e não conseguiu chegar até a unidade móvel.
Atendimento de Júlio Barreto e manobras de reanimação
A companheira ligou para Renata e relatou o ocorrido. Ela se dirigiu até onde o casal estava para prestar apoio. Segundo o relato, o atendimento foi rápido e “em menos de 10 segundos já tinham médicos fazendo massagem nele”.
Os socorristas realizaram manobras de reanimação, ao mesmo tempo em que atualizavam os parentes e amigos presentes sobre o estado de saúde do atleta. A equipe usou um aparelho de choque para tentar reanimar Barreto, mas sem sucesso.
O corredor foi levado para a estrutura de emergência montada dentro do espaço da prova. Lá, ele chegou a ser entubado. Renata comentou que havia uma grande quantidade de médicos trabalhando para salvar o homem.
A amiga afirmou que ela e a esposa não sentiram falta de preparo ou negligência da organização da prova.
“Não entendemos dos termos técnicos ou do tempo que tudo isso levou, não sabemos se era o correto ou não, só sei que não temos sentimento de revolta ou de negligência. Sentimos que foi realmente uma fatalidade”.
A esposa de Júlio Barreto informou a um dos médicos presentes que não havia histórico de problemas cardíacos na família do marido.
Repercussão da morte Júlio Barreto nas redes sociais
Renata também comentou sobre postagens nas redes sociais falando sobre o caso e a forma como a morte de Júlio Barreto vem sendo tratada no meio digital.
“Há muita gente fazendo sensacionalismo (…). As pessoas não o conheciam e falavam: ‘façam exame’. O Júlio fez e não deu em nada. O infarto foi causado por uma obstrução na artéria”.
“Vi gente falando que ele tomou ‘bomba’ e que extrapolou no exercício. Ele estava acostumado com provas de 21 km. Era normal fazer esse tipo de percurso no treino para maratona”, completou.
A mulher ainda informou à esposa do atleta sobre a repercussão nas redes sociais. De acordo com ela, alguns amigos próximos se incomodaram e até mesmo responderam a alguns comentários.
“Eu já respirei fundo em vários momentos, mas é isso. Essa é a vida da internet. Comentamos que sempre vemos notícias de corredor falecendo em corrida. Desta vez, nós fomos a notícia”, finalizou.
Especialistas alertam para riscos durante a atividade física
Existem problemas que nunca devem ser ignorados durante uma corrida e que podem transformar um problema potencialmente tratável em uma emergência médica. Isso é o que explica o Dr. Daniel Marotta, cardiologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
“Dor ou aperto no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, sensação de desmaio, palpitações intensas, perda da consciência, confusão mental e mal-estar importante são sintomas que exigem interrupção imediata da atividade e avaliação médica”, explica Daniel Marotta.
Segundo Marotta, as causas de um colapso cardíaco em atletas durante provas longas podem variar conforme a idade.
“Em atletas com menos de 35 anos, os eventos costumam estar relacionados a doenças cardíacas hereditárias ou congênitas, como a cardiomiopatia hipertrófica, cardiomiopatia arritmogênica, alterações elétricas do coração (canalopatias) e anomalias das artérias coronárias, muitas vezes ainda desconhecidas pelo próprio atleta”, explica.
Já em atletas com mais de 35 anos, a principal causa é “a doença arterial coronariana, ou seja, o estreitamento ou entupimento das artérias do coração por placas de gordura, que pode desencadear um infarto ou uma arritmia grave durante o esforço intenso”.
