O Juventus-SP retornou à elite do futebol paulista após 18 anos de ausência. O acesso do Moleque Travesso ao Paulistão A1, conquistado nessa terça-feira (28/4), aconteceu cinco meses depois da implementação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
Embora o projeto tenha enfrentado resistência e protestos por parte da torcida no início, os resultados dentro de campo apareceram rapidamente, o que antecipou metas para médio prazo.
Entenda a SAF e o futuro do Juventus
A SAF do Juventus-SP é uma parceria com a PIP (família italiana) para profissionalizar o futebol do time e focar na reestruturação técnica e financeira, mas sem envolver o patrimônio social.
O projeto prevê investimento de R$ 480 milhões ao longo de 10 anos, incluindo reformas no Estádio Conde Rodolfo Crespi (Rua Javari), o retorno à elite estadual (atingido) e a ascensão no cenário nacional.
“A chegada à Série A1 potencializa o projeto em todas as frentes. Amplia a exposição do clube, fortalece o ambiente comercial e acelera novos investimentos, incluindo a modernização da Rua Javari, para adequar a estrutura ao nível de exigência da competição. Ao mesmo tempo, o acesso comprova a capacidade de execução do projeto: em poucos meses, organizamos o futebol, honramos todos os compromissos com o elenco e construímos uma conexão muito forte com a torcida, que abraçou a proposta desde o início e teve papel decisivo nessa trajetória”, afirma Cláudio Fiorito, CEO do Juventus.
O clube social associativo foi separado do futebol. A parceria com a PIP busca conciliar a evolução do esporte com o histórico comunitário e “raiz” do Juventus.
Além disso, a empresa (PIP) foca em transformar a equipe em uma grande formadora de talentos. Ao longo dos anos, a base juventina revelou craques do futebol brasileiro e ganhou até mesmo uma edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior (Copinha). O feito aconteceu em 1985.
Impacto nas arquibancadas
O Juventus registrou um aumento de 36% na média de público em 2026. A marca foi impulsionada pelas iniciativas de distribuição de ingressos gratuitos em partidas específicas na Rua Javari.
A ação também fortaleceu o vínculo da torcida com o time, principalmente com a organização de caravanas para jogos fora de casa, o que ampliou a presença grená em todo o estado em momentos decisivos.
Torcida do Juventus nas arquibancadas do Estádio da Rua Javari/Sérgio H/Juventus“Desde o início, entendemos que a SAF precisava caminhar junto com a essência do Juventus. As ações para aproximar o torcedor, como a política de ingressos e as iniciativas na Rua Javari, fazem parte disso. A ideia é modernizar a gestão e ampliar o alcance do clube sem perder as tradições que sempre fizeram do Juventus um time tão identificado com a sua comunidade”, conclui o CEO.
Já no campo comercial, o Juventus totalizou cerca de R$ 3 milhões em acordos comerciais na temporada. A nova fase foi estruturada com a chegada da Pátria Cidadania, patrocinadora máster da equipe grená, além da ampliação na carteira de parceiros.
Por que a SAF está dando certo?
Mesmo com pouco tempo de atividade, a SAF do Juventus se destacou pela adoção de um planejamento financeiro e esportivo realista e responsável.
A proposta do projeto não envolveu “loucuras” e nem rompeu o elo com a torcida, mesmo com a insatisfação inicial.
A SAF prevê o desenvolvimento a longo prazo, modernizando a estrutura e arrumando as finanças, mas sem abrir mão da essência e significado do time para o bairro da Mooca.
“O modelo de SAF representou uma virada na forma de gestão do clube, com mais organização, transparência e visão de futuro. Isso nos permitiu estruturar melhor o futebol, dar previsibilidade ao dia a dia e, ao mesmo tempo, reposicionar o Juventus no mercado, ampliando a credibilidade para atrair parceiros, investidores e profissionais qualificados. É um movimento que fortalece a competitividade e cria bases sólidas para um crescimento consistente dentro e fora de campo”, completa Cláudio Fiorito.
Relembre a campanha do acesso
Na primeira fase, o Juventus terminou na 7.ª colocação, com 23 pontos conquistados em 15 partidas jogadas.
Já no estágio seguinte, o clube garantiu a classificação como vice-líder do grupo, o que garantiu a presença grená nas semifinais.
Na fase decisiva, a equipe superou o Votuporanguense. O time da Mooca venceu a partida de ida na Rua Javari por 2 a 1 e segurou o 0 a 0 no jogo de volta, em Votuporanga.
Agora, o Moloque Travesso decide a final do Paulistão A2 com o vencedor do duelo entre Ferroviária e Ituano.
