Astronautas da Artemis II precisam reaprender a andar depois de voltar à Terra

Após missão histórica, Christina Koch mostra como o corpo reage fora do espaço

A microgravidade afeta o corpo dos astronautas

A microgravidade afeta o corpo dos astronautas | NASA/Frank Michaux

Voltar da Lua pode parecer o fim de uma jornada, mas, para astronautas, é apenas o início de outro desafio. Após a missão Artemis II, que levou o ser humano à Lua, Christina Koch revelou como o corpo reage ao regresso à gravidade da Terra.

Continua após a publicidade

Em um vídeo publicado no Instagram, a astronauta mostrou exercícios simples que escondem um processo complexo. O equilíbrio, a coordenação e até a forma de caminhar precisam ser reaprendidos com o tempo.

Novos primeiros passos

Entre 1 e 10 de abril de 2026, quatro astronautas completaram a missão Artemis II, marcando a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos. Apesar do retorno seguro, o impacto no corpo continua dias depois.

Após cerca de 10 dias em microgravidade, o organismo deixa de responder como na Terra. O sistema de equilíbrio, ligado ao ouvido interno, praticamente “desliga”, o que dificulta ações simples, como andar em linha reta.

Continua após a publicidade

Por isso, ao regressar, muitos astronautas relatam sensação de desorientação. O cérebro, acostumado a ignorar certos sinais no espaço, precisa reaprender a processar informações básicas para manter o corpo estável.

Dificuldades invisíveis

Christina Koch, engenheira de 47 anos e única mulher da missão, compartilhou nas redes sociais parte do seu treino de recuperação. No vídeo, ela aparece realizando exercícios de equilíbrio e coordenação.

“Acho que vou ter de esperar um bocadinho para voltar a surfar”, brincou a astronauta, mostrando que até atividades simples exigem paciência nesse processo de readaptação.

Continua após a publicidade

Ela também explicou que, no espaço, o corpo passa a depender mais da visão para se orientar. “O nosso cérebro aprende a ignorar estes sinais e, por isso, quando voltamos à gravidade, dependemos muito da visão para nos orientarmos”.

Por que o equilíbrio é afetado

A microgravidade altera profundamente o funcionamento do corpo humano. Sem a ação constante da gravidade, músculos e sistemas sensoriais entram em um estado diferente de operação.

Um exemplo claro é o equilíbrio. “Caminhar em dupla de olhos fechados pode ser um grande desafio”, explicou Koch. Isso acontece porque o cérebro precisa reorganizar as informações sensoriais que antes eram automáticas.

Continua após a publicidade

Além disso, essa adaptação tem implicações além das missões espaciais. Segundo a astronauta, entender esses efeitos pode ajudar a tratar condições como vertigem e concussões na Terra.

Além da caminhada

Para recuperar o condicionamento físico, os astronautas seguem rotinas específicas. Os exercícios incluem fortalecimento das pernas, costas e região abdominal, essenciais para sustentar o corpo na gravidade.

Além disso, treinos cardiovasculares, como bicicleta e esteira, ajudam o coração a recuperar eficiência. No espaço, o órgão também sofre mudanças e pode perder parte da sua capacidade funcional.

Continua após a publicidade

A combinação desses treinos acelera a recuperação, mas o processo ainda exige tempo. Cada corpo reage de forma diferente, o que torna a adaptação uma etapa essencial após qualquer missão.

Christina Koch mostrou sua rotina de treinos no InstagramChristina Koch mostrou sua rotina de treinos no Instagram (Foto: Reprodução/Instagram)

Recuperação ainda em curso

Mesmo após mais de uma semana do retorno, Christina Koch afirmou que o corpo ainda está em fase de adaptação. “Felizmente, já nos estamos a readaptar à gravidade sete dias após a aterragem na água”, disse.

A missão Artemis II, realizada na nave Orion, teve como objetivo testar equipamentos e preparar futuras viagens, incluindo um possível retorno à superfície lunar em 2028.

Continua após a publicidade

Enquanto isso, os bastidores dessa jornada continuam revelando detalhes pouco conhecidos. Afinal, o verdadeiro impacto de ir ao espaço não termina na aterragem, mas começa justamente quando os pés voltam ao chão.