Um osso comprido, pesado e antigo demais para pertencer a qualquer animal comum foi a pista que faltava para revelar um gigante esquecido sob o solo da Tailândia. A descoberta levou à identificação do Nagatitan chaiyaphumensis, o maior dinossauro já registrado no Sudeste Asiático.
O animal viveu há cerca de 113 milhões de anos, durante o período Cretáceo, quando a região tinha paisagens quentes, rios e vegetação abundante. Pelas estimativas, esse herbívoro de pescoço longo media cerca de 27 metros e pesava entre 25 e 28 toneladas.
A peça que mais chama atenção é um osso do braço com aproximadamente 1,78 metro. Para os cientistas, ele funcionou como uma espécie de régua pré-histórica, ajudando a calcular o tamanho de um corpo que não foi encontrado inteiro.
Como um único osso revelou um gigante
Nem sempre a paleontologia encontra esqueletos completos, montados como nos museus. Muitas vezes, uma nova espécie começa a aparecer em partes: vértebras, costelas, ossos da bacia e fragmentos dos membros.
No caso do Nagatitan, esses fósseis guardavam marcas anatômicas suficientes para mostrar que os pesquisadores estavam diante de um animal diferente dos outros saurópodes já conhecidos na região.
O osso de quase 2 metros ajudou a dimensionar o porte do dinossauro. A partir dele e de outras partes do esqueleto, a equipe estimou que o animal tinha proporções comparáveis às de grandes gigantes herbívoros do passado.
Por que esse dinossauro era tão grande?
O Nagatitan chaiyaphumensis fazia parte do grupo dos saurópodes, famosos pelo corpo enorme, pescoço longo, cabeça pequena e alimentação baseada em plantas. Esses animais conseguiam alcançar copas, samambaias e coníferas sem competir com espécies menores pelo mesmo alimento.
Além disso, muitos saurópodes tinham ossos com estruturas internas mais leves, ligadas a sacos de ar. Na prática, esse “truque” anatômico ajudava a sustentar corpos gigantes sem tornar o esqueleto pesado demais.
O tamanho também era uma defesa. Mesmo que predadores vivessem no mesmo ambiente, um herbívoro com dezenas de toneladas provavelmente não era uma presa fácil.
A Tailândia no mapa dos dinossauros
A descoberta coloca a Tailândia em posição de destaque na paleontologia asiática. Até então, o Sudeste Asiático não era tão lembrado quando o assunto eram dinossauros gigantes, mais associados a achados famosos na América do Sul e em outras regiões.
O nome do animal também carrega esse vínculo local. “Naga” faz referência a uma criatura serpentina presente em tradições asiáticas, enquanto “titan” remete aos gigantes da mitologia grega.
Pegadas fossilizadas preservam movimentos de animais que desapareceram há milhões de anos (Foto: Britoca / Wikimedia Commons)





