Nesta semana, a comunidade científica recebeu com alvoroço uma novidade: a África se dividirá em dois continentes.
Um estudo publicado em 23 de abril retirou todas as dúvidas sobre o fenômeno em um desenvolvimento sem precedentes.
A National Geographic já havia atestado a separação em um estudo anterior, mas o estudo recente veio para confirmar a separação da Fenda de Turkana e trazer medidas importantes desse evento.
O que está acontecendo e o que mudou?
A Fenda de Turkana faz parte do Sistema de Rift da África Oriental, uma imensa zona de fraturas que corta o continente desde a região de Afar, no norte da Etiópia, até Moçambique.
A novidade do estudo é que a cisão passou de um “estado crítico”, enfim entrando na primeira fase da divisão continental: o chamado “estiramento”.
A confirmação é necessária, pois outros rifts começaram processos parecidos, mas se estabilizaram com o tempo.
Um exemplo famoso foi o rift que quase dividiu o antigo continente Laurentia há cerca de 1,1 bilhão de anos, mas parou antes de formar um oceano. Atualmente, essa área abriga os Grandes Lagos dos Estados Unidos (Foto: NASA / Wikimedia Commons)O novo estudo aponta que a crosta cristalina em Turkana caiu de mais de 35 quilômetros de espessura nas bordas para cerca de 13 quilômetros no eixo central da fenda.
Esse estágio é chamado de estreitamento, ou necking, quando a crosta fica tão fina que passa a se comportar como uma massa esticada. Quanto mais fina ela fica, mais vulnerável se torna à ruptura.
Christian Rowan, pesquisador do Lamont-Doherty Earth Observatory, afirmou que “o rifteamento nesta zona está mais avançado, e a crosta é mais fina, do que qualquer pessoa havia reconhecido”.
Projeção do possível novo continente após milhões de anos (Foto: Reprodução / YouTube)O caminho até um novo oceano
O processo de deriva continental ocorre em três estágios principais. Começa com o estágio de “estiramento”, em que as pressões tectônicas se distribuem por uma vasta área da crosta, causando pequenas fissuras.
O estiramento, o atual estágio do Rift, pode ser comparado ao processo de esticar uma massa de macarrão até surgirem fissuras (IMG: Nano Erdozain / Pexels)Em seguida, vem o estágio de “constrição”, em que a deformação se concentra ao longo de um eixo estreito, enfraquecendo a crosta e tornando-a mais propensa a colapsos.
Finalmente, o processo atinge o estágio de “formação oceânica”, em que o magma flui do interior da Terra através das fissuras e a água do oceano começa a penetrar, dando origem a um novo oceano.
Um dos mares mais recentes a se formar a partir desse tipo de deriva foi o Mar Vermelho, vizinho do Rift Oriental, que surgiu a partir da divisão da Placa Núbia e a Placa Arábica (Foto: Wikimedia Commons)O elo com os fósseis humanos
A descoberta também toca em outro tema: a história humana. A região de Turkana é famosa por fósseis de antigos hominíneos, usados para reconstruir etapas importantes da evolução.
Segundo os pesquisadores, o afinamento da crosta pode ter criado bacias favoráveis ao acúmulo de sedimentos. Esses sedimentos ajudaram a soterrar restos orgânicos com rapidez, protegendo parte do material da erosão.
Em outras palavras, a separação do rift foi crucial para manter preservado material necessário para a pesquisa da paleoantropologia. Uma nova etapa de descoberta da evolução dos hominídeos até o Homo sapiens sapiens moderno.







